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Milhares de viajantes deixam Wuhan após fim do confinamento

07/04/2020 19h16

Wuhan, China, 7 Abr 2020 (AFP) - Milhares de pessoas correram na noite desta terça-feira para a estação ferroviária de Wuhan, depois que autoridades levantaram a proibição de deixar a cidade onde surgiu a pandemia do novo coronavírus, no fim de dezembro.

À 0h00 desta quarta-feira (13h desta terça, horário de Brasília), foram suspensas as restrições impostas há mais de dois meses que impediam a saída da cidade, de 11 milhões de habitantes, um passo fundamental para o fim da crise de saúde na China.

"Wuhan perdeu muito nesta epidemia e a população pagou um preço muito alto", disse Yao, de 21 anos, que retornava a Xangai para trabalhar em um restaurante. "Agora que o confinamento foi levantado, acredito que estamos todos muito felizes."

O governo espera que cerca de 55 mil pessoas deixem a cidade nesta quarta-feira, de uma população que esteve confinada desde 23 de janeiro.

A agência estatal Xinhua informava sobre filas de ônibus saindo da cidade uma vez que as barreiras que bloqueavam as estradas foram retiradas e os os voos também voltaram ao normal no aeroporto internacional de Wuhan.

Alguns não conseguiam esconder sua felicidade.

"Estava confinado há 77 dias!", disse um homem da província próxima a Hunan, cujo período de confinamento o fez ficar ter que ficar preso em Wuhan.

O novo coronavírus transformou Wuhan na primeira cidade do mundo a ser submetida a um confinamento draconiano, que afeta, agora, cerca da metade da população mundial.

As medidas de Wuhan foram ampliadas para a província de Hubei, confinando a dezenas de milhares de pessoas em suas casas e afastando a cidade do resto do mundo ao mesmo tempo em que proibiu a entrada e a saída da província, como forma de conter a transmissão do vírus.

- Faz tempo que não te vemos -Meios de comunicação chineses comemoraram a suspensão da proibição de viajar com manchetes que estampavam: "Wuhan, faz tempo que não te vemos."

Hubei e a capital provincial, Wuhan, foram as mais afetadas pela pandemia, que deixou oficialmente 81.000 casos na China e mais de 3.300 mortos. No epicentro da pandemia morreram mais de 2.500 pessoas nos hospitais.

Agentes lembravam os passageiros das medidas de higiene e da necessidade de manter um distanciamento de um metro, enquanto alto-falantes transmitiam mensagens chamando Wuhan de "cidade de heróis".

O novo coronavírus apareceu na cidade no fim de 2019. Muitos casos pareciam vinculados a um mercado de mariscos que vendia animais silvestres.

As autoridades do Partido Comunista foram acusadas de ocultar inicialmente o surto e dar uma resposta lenta para frear a sua propagação.

Muitos colocam em dúvida os números reportados, dada a potencial virulência e a rapidez com que a doença se propagou na Itália, Espanha e Estados Unidos, que apresentam números de mortos e contagiados muito superiores aos divulgados pelas autoridades chinesas.

Nesta terça-feira foi a primeira vez que a China informou que não houve mortes relacionadas à Covid-19.

Mas autoridades temem uma nova onda de contágios, a partir de pessoas procedentes do exterior.

Os moradores de Hubei permaneceram confinados até cerca de duas semanas atrás, quando as restrições começaram a ser suavizadas, o que permitiu a retomada das viagens para outras partes da China.

Mas autoridades esperaram até hoje para permitir a saída dos viajantes presos em Wuhan, apesar do temor, no restante do país, de que eles possam ser vetores do novo coronavírus.

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