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Argentina estende até 22 de maio o prazo para swap da dívida

11/05/2020 19h26

Buenos Aires, 11 Mai 2020 (AFP) - A Argentina prorrogou oficialmente o prazo para os credores aderirem ao swap de dívida até 22 de maio, buscando evitar a moratória, informou o governo nesta segunda-feira.

"Essa extensão é considerada necessária, no âmbito das negociações de boa fé que a Argentina realizou com seus credores, para restaurar a sustentabilidade da dívida pública sob a lei estrangeira", afirmou a decisão publicada no Diário Oficial.

O governo do presidente Alberto Fernández declarou-se "aberto a tratar todas os aportes destinados a ajudar a Argentina a alcançar seus objetivos e, ao mesmo tempo, melhorar as recuperações dos credores", em comunicado divulgado pelo Ministério da Economia.

O governo não descarta chegar a um acordo com os credores "de forma antecipada" a 22 de maio, último dia do período de carência para pagamento de juros no valor de 500 milhões de dólares vencidos em abril, cujo pagamento ou não se tornará determinante para descobrir se o país cairá em uma moratória.

"Esperamos que seja possível trabalhar em colaboração com nossos credores com base na responsabilidade e no senso comum", disse o ministro da Economia Martín Guzmán ao jornal Infobae nesta segunda-feira, enfatizando que "neste final de semana o diálogo foi bom".

O ministro considerou "fundamental que exista um processo colaborativo que respeite o princípio de que o acordo deve ser sustentável".

"O princípio de que a dívida deve ser sustentável é insuperável. Fizemos uma oferta que respeita esse princípio e estamos abertos a ouvir alternativas de credores que também façam isso", disse Guzmán.

Buenos Aires também não descarta que o prazo das negociações "seja prorrogado novamente" além de 22 de maio, no âmbito de uma negociação com forte conteúdo político, em que nenhuma das partes "deseja um default", como expressaram em suas últimas expressões públicas.

O primeiro prazo expirou em 8 de maio, sem resultados satisfatórios para a reestruturação de títulos no valor de US$ 66 bilhões. No entanto, o nível de aceitação da oferta não foi divulgado.

A Argentina solicita a seus credores três anos de carência, com 62% sobre juros (US$ 37,9 bilhões) e 5,4% sobre principal (US$ 3,6 bilhões) da dívida emitida em dólares sob lei estrangeira.

A taxa de juros oferecida é de 1,5%, aumentando para um máximo de 5%.

A extensão do prazo teve o aval da Bolsa de Comércio de Buenos Aires, com alta de 6,63% de seu principal índice, o Merval, que fechou a 38.581,60 unidades.

No momento, três comitês de credores anunciaram sua rejeição da oferta, apesar do Fundo Monetário Internacional (FMI) indicar que, como é, "a dívida da Argentina é insustentável". O mesmo argumento é usado por Fernández para solicitar o swap.

O objetivo do governo é "aumentar a participação" dos credores em uma operação que considera essencial para aliviar as finanças públicas, segundo a publicação oficial.

O endividamento total do país chega a 323 bilhões de dólares. Do total, cerca de US$ 44 bilhões são negociados separadamente com o FMI.

dm/mls/mr/cc

Economia