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Itália registra 'queda histórica' na produção industrial de março

11/05/2020 11h47

Milão, 11 Mai 2020 (AFP) - A produção industrial da Itália caiu quase 30% em março, em função do fechamento de várias empresas pela pandemia de coronavírus - uma queda considerada "histórica".

Ajustada pelos efeitos do calendário, a queda foi de 29,3% na comparação anual, e de 28,4%, em relação a fevereiro, acrescentou o Instituto Italiano de Estatística (Istat).

Setores importantes do país foram atingidos pela epidemia, principalmente os fabricantes de meios de transporte, com um colapso de 52,6% em um ano, seguido por têxteis, roupas e acessórios (-51,2%).

A fabricação de máquinas (-40,1%) e o setor metalúrgico (-37,0%) também registraram quedas.

"Um verdadeiro terremoto derrubou o sistema industrial", lamentou a União Nacional de Consumidores, referindo-se a "um colapso recorde" e "sem precedentes", mesmo em comparação com 2009, o ano da crise financeira.

"Março foi o mês mais fraco conhecido", com uma "queda histórica" na produção, explicou Nicola Nobile, especialista da Oxford Economics, referindo-se em particular à "queda surpreendente no setor de transportes" pelo fechamento de fábricas de automóveis.

"Estimamos um colapso semelhante na atividade econômica em abril", com uma queda de 20% a 30% em um mês, completou.

A Itália foi o primeiro país da Europa a decretar, em 10 de março, o confinamento de seus 60 milhões de habitantes, devido à pandemia. No dia 22 do mesmo mês, determinou-se a interrupção de todas as atividades produtivas consideradas não essenciais, paralisando o tecido econômico da península.

Desde o final de abril, as empresas começaram a retomar gradualmente suas atividades, mas o impacto na economia italiana, a terceira na área do euro, é grave.

O governo estima uma contração de 8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, mas não descarta uma recessão de mais de 10% no caso de "persistência do vírus". Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê uma queda no PIB italiano de 9,1% para este ano.

As regiões mais industrializadas do norte da Itália e motor da economia nacional, como Lombardia, Veneto e Emiglia-Romagna, que geram 45% do PIB, também foram as mais afetadas pela COVID-19 no número de mortes.

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