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Apetite chinês pela soja brasileira sustenta preços e estimula cultivo

28/01/2021 11h08

Montevidéu, 28 Jan 2021 (AFP) - O apetite chinês pela soja produzida na América do Sul, principalmente no Brasil, sustenta os preços da oleaginosa e estimula este cultivo na região, em meio a polêmicas ambientais.

Os números deste negócio falam por si só.

No Brasil, maior produtor de soja do mundo, o cultivo ocupou 37 milhões de hectares no ano passado, 3,5% a mais que em 2019, e alcançou 121,5 milhões de toneladas, um crescimento de 7,1%.

A China comprou soja brasileira por 20,9 bilhões de dólares, 31% do total das exportações do Brasil ao gigante asiático.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê um aumento de 3,3% da área da soja plantada em 2021 e um aumento da produção para 134,5 milhões de toneladas.

Na Argentina, após uma campanha 2019-2020 marcada pela seca, o setor espera 100.000 hectares a mais de cultivo para 2020-2021, até os 17,2 milhões de hectares, um avanço impulsionado pelos preços em alta. A China comprou 88% da produção argentina de soja em grão em 2019.

Nesse ano, a soja em grãos, ou processada, representou 16,94 bilhões de dólares em vendas argentinas ao exterior, 26% do total e um aumento de 12,5% em relação a 2018.

No Paraguai, sexto maior produtor de soja do mundo depois de Brasil, Estados Unidos, Argentina, China e Índia, entre 2019 e 2020, a área semeada aumentou quase 100.000 hectares, até os 3,6 milhões.

Em 2020, o país alcançou uma colheita histórica, segundo a Câmara Paraguaia de Cereais e Oleaginosas (Capeco).

De acordo com o último relatório do Departamento americano de Agricultura divulgado em janeiro, os preços da soja dos EUA - que serve de referência para o mercado - subiram 50% desde meados de agosto "pela sólida demanda da China" para alimentar porcos e duas colheitas consecutivas nos Estados Unidos com volumes abaixo do previsto.

Junto a esses fatores, somam-se condições meteorológicas adversas recentemente na América do Sul que "sustentaram preços mais altos", acrescenta o relatório.

- China, motor do consumo -Em 2020, a China levou 73% da soja vendida pelo Brasil.

"A pandemia não alterou a demanda da China, que deu mais importância (para reforçar) sua segurança alimentar e suas reservas", explicou no início de janeiro o analista Luiz Fernando Gutierrez, de Safras e Mercado.

A demanda chinesa da soja brasileira "está garantida a longo prazo", afirma o economista Gustavo Arruda, do BNP Paribas em São Paulo.

Segundo ele, depois da gripe suína, o país asiático "está reconstruindo sua produção de suínos de forma organizada e industrial" e "precisará de mais grãos" de soja.

A demanda foi tanta que aumentou os preços no Brasil, que precisou, inclusive, importar soja do Paraguai e Uruguai.

- A problemática ambiental -A produção de soja está rodeada de polêmicas pelo desmatamento que avança para ganhar terras produtivas e pelo uso intensivo de agrotóxicos que este cultivo geneticamente modificado envolve.

Recentemente, o presidente francês, Emmanuel Macron, recomendou aumentar a produção de soja no Velho Continente para serem "coerentes com as ambições ecológicas" da União Europeia (UE).

"Quando importamos soja produzida em marchas forçadas na floresta desmatada do Brasil, não somos coerentes com nós mesmos", denunciou em um vídeo que acompanhava uma mensagem do Twitter.

O presidente Jair Bolsonaro o acusou de falar "besteira" e seu vice-presidente, Hamilton Mourão, disse que o presidente europeu reproduz "os interesses protecionistas dos agricultores franceses".

O desmatamento na Amazônia não para de bater recordes desde a chegada de Bolsonaro ao poder há dois anos, e é um dos principais obstáculos para a ratificação do acordo comercial entre a UE e o Mercosul.

Além dessa questão, o uso de químicos associado à soja transgênica multiplica as denúncias de coletivos ambientais e médicos sobre o impacto desses produtos na saúde da população.

bur-mr/gma/aa/tt

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