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Obra digital do artista Beeple é vendida por US$ 69,3 milhões

11/03/2021 21h05

Nova York, 12 Mar 2021 (AFP) - Uma obra inteiramente digital do artista americano Beeple foi vendida por 69,3 milhões de dólares pela casa de leilões Christie's, um recorde que ilustra a revolução que vive esse mercado por muito tempo mantido em sigilo.

A obra, intitulada "Everydays: The First 5,000 Days", uma coleção de desenhos e animações feitos durante 5.000 dias consecutivos, coloca Mike Winkelmann, o nome real de Beeple, entre os três artistas mais caros do mundo em vida, em todos os aspectos.

A venda, que durou um total de duas semanas, estabeleceu um segundo recorde: cerca de 22 milhões de internautas acompanharam os últimos minutos no site da Christie's.

Foi a primeira venda de uma obra totalmente digital por uma grande casa de leilões.

Noventa e um por dento dos que participaram do leilão nunca o haviam feito antes na Christie's, informou a empresa. E a maioria deles, 58%, tinha entre 25 e 40 anos.

Winkelmann, de 39 anos, era conhecido por seus projetos digitais e colaborações, mas antes do final de outubro nunca havia vendido nenhuma obra em seu nome.

Porém, em poucos dias, uma nova tecnologia o colocou em órbita, elevando seu nome mundialmente.

Essa tecnologia possibilita a comercialização de obras, e quase tudo que se possa imaginar, na Internet, de álbuns de música a tuítes de personalidades, no formato de "NFT", ou "token não fungível" (sigla em inglês).

O mecanismo, criado em 2017, envolve qualquer objeto virtual com identidade, autenticidade e rastreabilidade, em teoria indiscutíveis e invioláveis, por meio da tecnologia chamada "blockchain", usada para criptomoedas como o bitcoin.

"Artistas têm usado softwares e armazenamento de dados para criar arte e distribuí-la na Internet há mais de 20 anos, mas (até agora) não havia uma maneira real de possuí-la e colecioná-la", disse Winkelmann em um comunicado divulgado pela Christie's após a venda.

"Com o 'NFT' tudo isso mudou".

- Novo capítulo na história da arte -Para ele, "estamos testemunhando o início de um novo capítulo na história da arte, da arte digital".

A arte totalmente desmaterializada contém "tanto conhecimento, nuance e intenção quanto qualquer coisa que possa ser feita em uma tela física", acrescentou.

"Estou muito honrado e comovido por representar a comunidade das artes digitais neste momento histórico."

No final de fevereiro, outra de suas obras, a "Crossroads", foi vendida por 6,6 milhões de dólares (dos quais Beeple recebeu 10%) na plataforma Nifty Gateway, especializada em obras virtuais.

E uma animação que ele vendeu no final de outubro por um dólar simbólico foi recentemente comprada por 150 mil dólares.

A maioria dos itens digitais "NFT" pode ser comprada com criptomoedas, como foi o caso do trabalho de Beeple vendido nesta quinta-feira pela Christie's, que aceitou Ether, uma das moedas digitais mais populares.

Outro dos "NFT" mais cobiçados é o primeiro tuíte de Jack Dorsey, fundador do Twitter, publicado em 2006.

O leilão desse tuíte está ocorrendo na plataforma Valuables e o lance mais alto chega a 2,5 milhões de dólares no momento.

Em fevereiro, um clipe de uma jogada da estrela do Los Angeles Lakers, LeBron James, foi vendido por 208 mil dólares, um recorde para um "moment", o nome desses clipes.

O coletivo Larva Labs é frequentemente considerado o fundador desta nova era da coleção digital. Em 2017, o grupo lançou o projeto CryptoPunks, uma série de 10.000 faces desenhadas por computador, todas diferentes, com contornos pixelizados e deliberadamente grosseiros.

Cada rosto, no formato "NFT", agora pode ser revendido na plataforma Larva Labs. Um deles foi arrematado por 7,5 milhões de dólares por um comprador anônimo na quarta-feira.

Na música, o grupo de rock americano Kings of Leon lançou uma versão "NFT" de seu novo álbum "When You See Yourself" na semana passada.

tu/cjc/ll/rsr/tt/bn/jc/mvv

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