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Aumento de desastres naturais ameaça sistemas alimentares, alerta FAO

Secas, inundações, tempestades, tsunamis, incêndios florestais, invasões de pragas, epidemias "fazem a agricultura pagar um preço alto" - Getty Images
Secas, inundações, tempestades, tsunamis, incêndios florestais, invasões de pragas, epidemias "fazem a agricultura pagar um preço alto" Imagem: Getty Images

18/03/2021 10h12Atualizada em 18/03/2021 10h37

Paris, 18 Mar 2021 (AFP) - O aumento da frequência e intensidade das catástrofes naturais "põe em perigo os sistemas alimentares do planeta", advertiu nesta quinta-feira (18) a FAO, que deseja que a comunidade internacional invista mais para reduzir os riscos e tornar os sistemas agrícolas "mais resilientes".

Secas, inundações, tempestades, tsunamis, incêndios florestais, invasões de pragas, epidemias etc. "fazem a agricultura pagar um preço alto em todos os seus setores", ressalta em um relatório a agência das Nações Unidas responsável pela alimentação e agricultura.

O número anual de catástrofes triplicou em relação aos anos 1970 e 1980.

Em países de baixa e média renda, "a agricultura absorveu um quarto (26%) das consequências das catástrofes entre 2008 e 2018", declarou à AFP Dominique Burgeon, diretor responsável pela divisão de emergência e reabilitação da FAO.

"Isso representou 108,5 bilhões de dólares em perdas de safras e produção de animais durante este período!"

"Essas perdas econômicas podem ter um efeito devastador na vida das pessoas", ressaltou o responsável, apontando que "mais de 2 bilhões de pessoas dependem do setor agrícola para a sua subsistência".

A edição anterior deste relatório sobre "o impacto das catástrofes e crises na agricultura e na segurança alimentar" datava de 2017 e a situação não melhorou desde então.

O ano de 2020, "que encerrou uma década de desastres exacerbados, de aquecimento global, recuo das geleiras e aumento do nível do mar", trouxe "novos desafios".

A pandemia da covid-19 desorganizou as cadeias alimentares, enquanto algumas regiões sofreram inundações recordes e grandes enxames de gafanhotos do deserto devastaram plantações e pastagens em vários países da África, da Península Arábica e do Sudeste Asiático, segundo a organização com sede em Roma.

O relatório, focado no período de 2008-2018, traz um capítulo sobre o impacto da covid-19, detectada pela primeira vez na China no final de 2019. Devido à pandemia, "os agricultores têm acesso reduzido a insumos, mão de obra e terras agrícolas, o que leva a uma perda de produção, uma queda na renda familiar e uma diminuição da nutrição", observa Dominique Burgeon, destacando que a situação é muito variável segundo as regiões do mundo.

Com este relatório, a FAO pretende ajudar a comunidade internacional a identificar áreas nas quais deve investir para reduzir o risco de desastres e fortalecer a "resiliência" dos sistemas agrícolas.

"A comunidade internacional deve investir mais e, principalmente, na prevenção" dos riscos, considera Dominique Burgeon.

Vários tipos de ações podem ser tomadas, como a criação de sistemas de alerta precoce ou o estabelecimento de seguro contra desastres, por exemplo, cita Dominique Burgeon.

Entre 2004 e 2016, apenas 3% da assistência oficial ao desenvolvimento (ODA) para países em desenvolvimento e países em transição foi gasto em medidas relacionadas à agricultura com foco na redução do risco de desastres.

A ONU está preparando uma Cúpula de Sistemas Alimentares a ser realizada em setembro, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, como parte da Década de ação para alcançar os objetivos de desenvolvimento sustentável até 2030.

Uma "reunião pré-cúpula" será realizada de 19 a 21 de julho em Roma, anunciaram na quarta-feira a ONU e o governo italiano.

O encontro deverá ser presencial para alguns dos participantes e virtual para os demais.

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