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Taleban não terá acesso às reservas do BC afegão nos EUA, diz governo Biden

Integrantes do Taleban fazem patrulha nas ruas de Herat - Stringer/Reuters
Integrantes do Taleban fazem patrulha nas ruas de Herat Imagem: Stringer/Reuters

16/08/2021 17h05

Os talibãs não terão acesso às reservas monetárias do Banco Central do Afeganistão mantidas em contas nos Estados Unidos, afirmou uma fonte do governo Joe Biden.

"Qualquer ativo do Banco Central que o governo afegão tenha nos Estados Unidos não estará disponível para os talibãs", afirmou a fonte às AFP.

A grande maioria das reservas monetárias do BC do Afeganistão não estão em território afegão, informou à AFP uma fonte familiarizada com o tema, sem especificar o percentual mantido nos Estados Unidos.

As reservas brutas do Banco Central do Afeganistão alcançavam 9,4 bilhões de dólares no fim de abril, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O Afeganistão estava sob controle dos talibãs nesta segunda-feira, depois que as forças do governo entraram em colapso e o presidente Ashraf Ghani fugiu para o exterior. Milhares de pessoas tentavam desesperadamente, em meio ao caos, fugir do país no aeroporto de Cabul.

A tomada de poder do Talibã ocorreu depois que a Otan retirou sua missão de 9.500 soldados do Afeganistão após a decisão de Biden de retirar suas tropas do país.

Ashraf Ghani deixou o país na noite de domingo quando os insurgentes cercaram a capital, culminando uma vitória militar que os viu capturar todas as cidades do país em apenas dez dias.

"Não posso perdoá-lo"

O governador do Banco Central afegão, Ajmal Ahmady, recorreu ao Twitter para detalhar sua fuga do país em um avião militar no domingo, depois que ele e sua equipe tentaram estabilizar a moeda em meio ao avanço dos talibãs para a capital.

Ahmady, que não revelou onde estava, destacou nesta sexta ter informado o banco central que "dado o entorno em deterioração não receberíamos mais remessas de dólares", e se reuniu no sábado com bancos e casas de câmbio para tranquilizá-los.

"Uma vez que se anunciou a saída (do) presidente, soube que em questão de minutos ocorreria o caos. Não posso perdoá-lo por ter criado isso sem um plano de transição", tuitou na segunda-feira.

"Não tinha que terminar desta maneira. Estou indignado pela falta de planejamento por parte dos líderes afegãos. Vi no aeroporto que iam embora sem informar os demais".

Corte de ajuda multilateral

Além de congelar ativos, Washington também pode bloquear a ajuda de credores multilaterais ao Afeganistão, como o FMI e o Banco Mundial, como fez com outros países com governos que não reconhece, como a Venezuela.

"O Afeganistão depende enormemente da ajuda externa (...), pelo que o acesso a fundos econômicos internacionais será crucial", disse Vanda Felbab-Brown, especialista em política externa do The Brookings Institution.

Mas cortar os fundos na tentativa de socavar o governo talibã "tem enormes consequências humanitárias e consequências para o desenvolvimento humano e econômico", disse à AFP.

E também há cálculos políticos, já que outras fontes de financiamento, como Rússia, China e Arábia Saudita não terão a mesma visão que Washington sobre a necessidade de respeitar os direitos das mulheres ou os direitos humanos, e podem simplesmente se focar em obter um compromisso contra o terrorismo, explicou.

Em junho, o FMI liberou a última entrega de um empréstimo de 370 milhões de dólares ao Afeganistão, aprovado em novembro para ajudar a apoiar a economia diante da pandemia de covid-19.

Naquele momento, o FMI afirmou que o governo afegão manteve seu programa econômico no caminho certo, apesar de "a segurança ter se deteriorado e a incerteza ter aumentado enquanto as negociações de paz entre o governo e os talibãs estão paralisadas, e as tropas americanas e da Otan planejam se retirar até setembro".

O Banco Mundial tem mais de 20 projetos de desenvolvimento em andamento no Afeganistão e forneceu 5,3 bilhões de dólares desde maio de 2002 até agora, principalmente em doações.

Os Estados Unidos outorgaram 4,7 bilhões de dólares em ajuda ao Afeganistão só no ano fiscal de 2019, segundo dados do governo.

"Os membros do governo talibã não têm experiência em como tratar com os doadores internacionais", disse Felbab-Brown. "Não têm nenhuma experiência na administração de grandes pacotes de ajuda internacional".

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