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Recuperação econômica está ameaçada por conflito na Ucrânia, alerta G20

Reforços americanos desembarcam no aeroporto Rzeszow-Jasionka na Polônia em meio a crise entre Rússia e Ucrânia - Wojtek Radwanski/AFP
Reforços americanos desembarcam no aeroporto Rzeszow-Jasionka na Polônia em meio a crise entre Rússia e Ucrânia Imagem: Wojtek Radwanski/AFP

17/02/2022 11h51Atualizada em 17/02/2022 11h51

Um conflito na Ucrânia ameaçará a recuperação econômica global após a pandemia, alertou nesta quinta-feira (17) o presidente da Indonésia, Joko Widodo, abrindo a reunião de ministros das Finanças e governadores de bancos centrais do G20 na Indonésia.

A reunião está sendo realizada em formato "híbrido" devido à pandemia de covid-19, com mais da metade dos delegados das 20 maiores economias do mundo participando online.

A reunião física foi transferida de Bali para a capital, Jacarta, enquanto o país enfrenta uma onda crescente da variante ômicron altamente contagiosa.

Com os países focados em promover a recuperação econômica à medida que continuam a combater a pandemia, o presidente da maior economia do Sudeste Asiático alertou para o aumento dos riscos geopolíticos.

"Não é hora de rivalidades e de novas tensões que podem prejudicar a recuperação global, muito menos colocar em risco a segurança global, como é o caso hoje na Ucrânia", disse o presidente indonésio Joko Widodo.

Ele pediu aos países do G20, incluindo Rússia, Estados Unidos e China, "sinergia e colaboração" para ajudar na recuperação econômica.

"Todas as partes devem acabar com as rivalidades e tensões", insistiu.

A secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, admitiu que as sanções contra a Rússia por invadir a Ucrânia teriam "repercussões globais" em entrevista à AFP antes da reunião.

Preparar-se melhor contra as pandemias

Na agenda das discussões está a necessidade de melhor preparação para futuras pandemias e seu financiamento.

"Devemos agir com urgência para fortalecer a arquitetura global de saúde para que tenhamos as ferramentas necessárias para prevenir, preparar e responder a futuras crises de saúde", disse Janet Yellen, que participou da reunião por teleconferência.

Yellen mencionou "um fundo de intermediação financeira hospedado pelo Banco Mundial".

O G20 discutirá os termos desse fundo, "no qual a Organização Mundial da Saúde (OMS) terá um papel central de coordenação", disse o ministro das Finanças da Indonésia, Sri Mulyani Indrawati.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, insistiu no papel central da agência e solicitou o primeiro pagamento emergencial dos 16 bilhões de dólares que ainda faltam para financiar seu plano de combate à atual pandemia de covid-19.

"Todos os esforços para melhorar a governança, os sistemas e o financiamento da segurança global da saúde só podem ser bem-sucedidos se fortalecermos o papel da OMS", observou ele.

Os membros do G20 abordarão os riscos associados à aceleração da inflação em certos países e a necessidade de uma "estratégia de saída" harmoniosa da política monetária acomodatícia nos países desenvolvidos para evitar o efeito negativo nos países em desenvolvimento, segundo as autoridades indonésias.

"Com a recuperação em andamento, alguns países estão se movendo em direção à normalização de políticas mais cedo do que outros. Ajustar a política monetária, juntamente com a retirada de estímulos, moldará a economia mundial futura", disse Perry Warjiyo, presidente do Banco Central da Indonésia.

"Isso poderia criar condições financeiras globais menos favoráveis e causar saídas de capital dos mercados emergentes", alertou.

O alívio da dívida dos países pobres, a reforma tributária e a organização e financiamento do sistema internacional de saúde também estarão na agenda.

Janet Yellen pediu avanços nas discussões sobre a dívida dos países pobres e "uma participação mais ativa da China", um dos maiores credores, em entrevista à AFP.