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Recessão ameaça economia alemã

29/07/2022 06h54

O crescimento da economia alemã permaneceu nulo no segundo trimestre, ofuscado pela aceleração da inflação após a guerra na Ucrânia, que pesa sobre o poder de compra e a atividade industrial, segundo dados preliminares divulgados nesta sexta-feira (29). 

Após um crescimento de 0,8% durante os primeiros três meses do ano, a primeira economia europeia encontra-se "num contexto econômico global difícil, com a pandemia de covid-19, cadeias de abastecimento interrompidas, subida dos preços e a guerra na Ucrânia", explica o instituto federal de estatística Destatis em um comunicado. 

O índice de desemprego na Alemanha aumentou em julho pelo segundo mês consecutivo devido ao "registro de refugiados ucranianos" no mercado de trabalho, informou o escritório de emprego em comunicado separado nesta sexta-feira. O índice atingiu 5,4% em dados corrigidos para efeitos sazonais, 0,1 ponto a mais que em junho, detalhou.

O número de desempregados aumentou em 48 mil, sempre em dados corrigidos de efeitos sazonais. 

O Destatis, no entanto, revisou fortemente em alta o crescimento para o primeiro trimestre, inicialmente anunciado em 0,2%. Assim, este ajuste de magnitude incomum "torna cada vez mais difícil uma valorização do crescimento em 2022", observa Jens Oliver Niklasch, do banco LBBW. 

A guerra na Ucrânia pôs fim à forte recuperação da economia iniciada há um ano, após a recessão histórica causada pela pandemia em 2020. 

A inflação dos preços da energia que causou prejudica especialmente a poderosa indústria alemã. Soma-se a isso o impacto da política de Pequim contra a covid-19, que gerou confinamentos e fechamentos de fábricas na China, primeiro parceiro comercial da Alemanha. 

As empresas exportadoras, pilares do modelo alemão, são particularmente afetadas, em particular o setor privado do automóvel para componentes essenciais. 

Desde a primavera boreal, Berlim espera um crescimento do PIB de 2,2% neste ano, ante 1,9% previsto em junho pelo Banco Federal (Bundesbank). 

No entanto, o risco energético é alto e uma interrupção no fornecimento de gás russo para a Europa reduziria o valor do PIB alemão em 1,5% em 2022 e 2,7% em 2023, segundo o Fundo Monetário Internacional.

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© Agence France-Presse