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Economistas do Fed projetavam 'leve recessão' em sua reunião de março

12/04/2023 15h52

Os economistas do Federal Reserve (Fed, banco central americano) previam uma "leve recessão" quando decidiram pelo último aumento dos juros, em março, segundo trechos das atas de sua reunião, publicados nesta quarta-feira (12).

"A projeção da equipe (técnica) no momento da reunião de março incluiu uma leve recessão mais adiante no ano, com uma recuperação nos dois anos seguintes", destacam estas atas.

Em 22 de março, apesar desta avaliação de suas equipes de economistas, o Comitê Monetário do banco central americano elevou as taxas de juros pela nona vez consecutiva em meio a uma crise que afetava bancos regionais.

O aumento foi de um quarto de ponto percentual, elevando as taxas básicas de juros do Fed para uma faixa entre 5% e 5,25% ao ano.

Os participantes da reunião do comitê admitiram que os problemas bancários "provavelmente" levariam a uma restrição das condições do crédito para pessoas físicas e jurídicas.

Embora a decisão de elevar os juros tenha sido unânime entre os membros eleitores do Comitê de Política Monetária, "vários participantes" destacaram ter se questionado na ocasião se não era "oportuno" manter as taxas.

Eles destacaram que poderia ser uma oportunidade para ter "mais tempo" para avaliar as consequências financeiras e econômicas da crise bancária.

Três bancos regionais americanos, a começar pelo californiano SVB, dedicado ao setor tecnológico, quebraram em março após uma fuga de depósitos à medida que o valor de seus ativos caíram e os clientes sacavam o dinheiro em meio ao aumento dos juros.

A próxima reunião do comitê de política monetária do Fed será nos dias 2 e 3 de maio.

O nível da inflação era "inaceitável" para os membros do Fed, segundo as atas de seu último encontro, que ocorreu no contexto de um último dado de alta dos preços ao consumidor de 6% em 12 meses.

Nesta quarta, a medição a 12 meses indicou um aumento mais moderado, de 5% ao ano, embora longe da meta do banco central, de 2%.

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© Agence France-Presse