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SP é única brasileira em ranking de 50 cidades com maior crescimento econômico até 2030

Marcelo Justo

  • Avener Prado/Folhapress

Há 100 anos era impossível imaginar um mundo com mais gente vivendo em centros urbanos do que no campo. Seria algo só possível em ficção científica. Hoje, contudo, é uma realidade.

A urbanização é uma das grandes tendências históricas da humanidade, acelerada pela revolução industrial do século 19 e em disparada nos últimos 100 anos.

O melhor símbolo do alcance desse processo é a China, uma sociedade camponesa por excelência que desde o último censo conta com mais habitantes urbanos do que rurais.

Segundo um estudo da consultoria Oxford Economics, que comparou 750 grandes cidades do mundo que concentram 57% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, essa tendência se aprofundará nos próximos anos.

"As grandes cidades são o motor do crescimento econômico, a inovação, a indústria e os serviços, a demanda e a produção", afirmou Richard Holt, diretor de investigação de cidades globais da Oxford Economics.

"Se hoje essas cidades representam 57% da riqueza mundial, em 2030 esse índice chegará a 61% pelo crescimento contínuo das grandes cidades."

Top 10

O ranking lista as cidades que terão o maior crescimento em renda e consumo até 2030. O estudo confirma três tendências que, apontam analistas, estão mudando as relações de poder no mundo: rivalidade China-Estados Unidos pela hegemonia global; deslocamento do motor econômico mundial do Ocidente ao Oriente e importância crescente do mundo em desenvolvimento em detrimento do mundo desenvolvido.

Em 2030, sete das dez cidades com maior crescimento serão chinesas: Xangai (2), Tianjín (3), Pequim (4), Guanzhou (6), Shenzhen (7), Chongqing (9) e Suzhou (10).

Todas terão, em conjunto, um PIB de quase US$ 4 bilhões, ou um terço do PIB atual dos EUA.

Nova York seguirá na ponta do ranking, e Los Angeles no quinto lugar. A Europa estará representada por Londres (9).

As dez posições seguintes no ranking corroboram as três tendências recentes de poder no mundo.

Entre essas cidades, apenas Tóquio, Washington, Chicago e Houston integram o chamado mundo desenvolvido.

Por outro lado, Jacarta (11), São Paulo (13), Istambul (18) e três megacidades chinesas serão os outros polos do crescimento econômico global.

China e a urbanização

Se estendermos a análise às 50 cidades mais poderosas, 17 serão chinesas. O número superará toda a América do Norte e será quatro vezes maior do que o da Europa.

A urbanização nos últimos 25 anos está no centro do crescimento econômico chinês.

Na recessão mundial de 2008-2009, o investimento em infraestrutura urbana teve um papel de destaque no pacote de US$ 500 bilhões que o governo injetou para manter sua economia aquecida.

Já o chamado "Novo Plano de Urbanização Nacional 2014-2020", anunciado há dois anos pelo governo chinês, prevê um megainvestimento de US$ 7 trilhões, aproximadamente a metade do PIB dos EUA.

A projeção é que 70% da população chinesa (cerca de 1 bilhão de pessoas) viverá em cidades em 2030, e as metrópoles do país terão, em média, 13 milhões de moradores.

"Os processos de urbanização implicam investimento gigantesco em serviços como transporte, eletricidade, água, saúde e educação. Tudo isso faz desses processos um grande motor da economia, algo a que muitas vezes não se dá a devida importância", disse Holt.

Impacto econômico e social

Esse efeito dinamizador pode ser observado na análise do impacto conjunto das 750 cidades estudadas pela Oxford Economics.

Em 2030 elas representarão 35% da população mundial, mas em termos econômicos significarão um aumento no PIB de US$ 37 trilhões, ou quase o dobro do atual PIB norte-americano.

O consumo se elevará em US$ 18 trilhões, com um mercado de 220 milhões de lares de classe média e um número equivalente de famílias de alta renda.

A presença crescente das economias emergentes é outro traço da explosão do consumo urbano.

Em consumo de veículos, por exemplo, São Paulo saltará do sétimo ao quarto lugar, e Xangai passará do atual 42º lugar à sétima posição.

"As cidades dos países emergentes darão um grande salto em crescimento, mas em PIB per capita ainda faltará muito tempo até alcançarem os países desenvolvidos", disse o analista da consultoria responsável pelo estudo.

Um morador de Pequim, por exemplo, precisará esperar até a metade do século para alcançar o nível dos países desenvolvidos.

Na Índia precisarão de 50 anos, enquanto em Lagos, na Nigéria, a estimativa remete ao terreno da ficção científica: 150 anos.

América Latina

Com mais de 20 milhões de habitantes e papel importante na produção industrial brasileira, São Paulo é a única cidade latino-americana que aparece entre as mais poderosas do planeta daqui até 2030.

Mas as metrópoles que deverão crescer mais são Lima, no Peru, e Monterrey, no México.

"Esse crescimento se sustentará no tempo porque a economia peruana está sintonizada para o avanço do capital, e se preparou bem em termos de infraestrutura para manter essa tendência. Não é o que ocorre com outras megacidades como São Paulo e Cidade do México, que possuem problemas sérios de infraestrutura", afirmou Holt.

A infraestrutura é um dos grandes desafios do crescimento urbano, e demanda uma política conjunta de habitação, saúde, educação e transporte - algo que, normalmente, ultrapassa a capacidade das autoridades.

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