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Islândia, Argentina e Reino Unido: Três países com líderes em apuros após Panama Papers

Cinco dias após o escândalo dos Panama Papers, um primeiro-ministro renunciou, outro foi forçado a admitir que tinha cotas de uma empresa offshore e um presidente será investigado.

Atletas como Leo Messi, e personalidades da cultura, como o Prêmio Nobel peruano Mario Vargas Llosa ou cineasta espanhol Pedro Almodóvar, também foram flagrados no que já é considerado o maior vazamento da história.

Mas, acima de tudo, o que começa a agitar o mundo são as consequências políticas.

O vazamento recente de milhões de documentos do escritório de advocacia Mossack Fonseca mostrou como o Panamá facilita a vida de ricos e poderosos que escondem e lavam dinheiro em paraísos fiscais.

Contas offshore não são por si só ilegais, desde que devidamente declaradas ao Fisco: podem ser uma forma de investir-se em bens e ativos no exterior. Muitas vezes, porém, contas em paraísos fiscais são usadas para evadir impostos, lavar dinheiro ou ocultar o real dono do patrimônio depositado.

Investigações foram abertas por autoridades locais para apurar desvios de recursos ao exterior enquanto o Panamá voltou à lista negra de muitos países.

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A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, mostra como líderes de três países - Islândia, Reino Unido e Argentina - enfrentaram escrutínio público após verem seus nomes (ou de pessoas próximas) citados nos documentos encontrados.

Na Islândia, o primeiro a cair

Apenas 48 horas após a revelação dos Panama Papers, o primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur Gunnlaugsson, se viu obrigado a renunciar. Ele e a mulher seriam donos da Wintris, uma empresa offshore, nas Ilhas Virgens Britânicas.

Gunnlaugsson, no entanto, não declarou a companhia ao Fisco quando se tornou parlamentar, em 2009.

O casal depositou US$ 4 milhões (R$ 15 milhões) em títulos de dívida dos três maiores bancos islandeses, que quebraram durante a crise financeira de 2008.

Oito meses mais tarde, depois de ingressar no Parlamento, Gunnlaugsson vendeu a metade que detinha da empresa para sua mulher, Anna Sigurlaug Pálsdóttir, por um valor simbólico de US$ 1.

Ele diz, contudo, que não violou nenhuma lei e que sua mulher não se beneficiou de suas decisões políticas.

Gunnlaugsson alegou ainda que não constituiu a sociedade para evitar o pagamento de impostos.

Inicialmente, ele descartou a renúncia, mas acabou deixando o posto após sofrer forte pressão política e popular.

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Denúncia contra um presidente

O presidente da Argentina, Mauricio Macri, é outro nome implicado no escândalo dos Panama Papers.

Documentos revelaram que o presidente tinha participação como sócio-diretor das empresas Fleg Tranding Ltd., com sede nas Bahamas e ligada a outra companhia, Kagemusha S.A., sediada no Panamá.

Macri alegou que não tem nada a esconder e que tudo era "uma operação legal, sem nada estranho". Mas, na quinta-feira, um promotor pediu a abertura de uma investigação para esclarecer a ligação entre o presidente e as empresas offshore.

Nesta sexta-feira, Macri se apresentou pediu à Justiça o que chamou de "uma declaração de certeza" que sirva para verificar a inexistência de uma "omissão maliciosa" em sua declaração de bens quando era governador de Buenos Aires.

O presidente argentino também anunciou a criação de um instrumento financeiro em que o presidente abre mão de todos os investimentos e da administração de bens.

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"Nada a Esconder"

O nome do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, foi um dos primeiros a surgir em meio ao vazamento dos Panama Papers.

Documentos do escritório de advocacia Mossack Fonseca revelam que o pai de Cameron usou um paraíso fiscal para criar um fundo para investidores.

Segundo as revelações, Ian Cameron, que morreu em 2010, foi um dos cinco diretores de uma empresa com sede nas Bahamas, criada com o intuito de não pagar impostos no Reino Unido.

Na quarta-feira, o governo britânico emitiu uma declaração dizendo que Cameron, sua esposa e filhos não se beneficiam de recursos no exterior.

Um dia depois, contudo, o primeiro-ministro reconheceu que ele e sua esposa tinham cotas da empresa offshore criada por seu pai, antes de vendê-las por 30 mil libras (R$ 150 mil) em 2010.

Em entrevista à emissora britânica ITV, Cameron disse que ele não tinha "nada a esconder" e que havia pagado todos os impostos devidos no Reino Unido pela venda das ações.

No olho do furacão

Após o vazamento, o presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, anunciou a criação de "um comitê independente de especialistas nacionais e internacionais" para ajudar a tornar o sistema financeiro e jurídico do país mais transparente.

Em entrevista à BBC em Londres, o embaixador panamenho, Daniel Fabrega, disse que seu país não vai tolerar ilegalidades e prometeu promover a transparência da gestão financeira.

"Não se trata de um problema restrito ao Panamá; é um assunto que envolve toda a comunidade internacional", disse.

Já a França decidiu incluir novamente o Panamá na lista negra de paraísos fiscais.

O ministro das Finanças francês, Michel Sapin, também anunciou que a decisão "terá consequências para aqueles que fazem transações com o Panamá".

No Brasil, o país permanece na lista de nações com "tributação favorecida", segundo a Receita Federal.

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