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Na China, Temer inicia giro global para melhorar imagem e atrair recursos

Joao Fellet - BBC Brasil

Com o afastamento definitivo de Dilma Rousseff e agora que se livrou do termo "interino", o presidente Michel Temer pretende tirar do papel os planos de fazer várias viagens internacionais até o fim de seu mandato.

Ele partiu já nesta quarta-feira rumo à China e deve ir a Nova York e Buenos Aires até o início de outubro. Segundo o Palácio do Planalto, também há visitas previstas à Índia, ao Japão, ao Paraguai e à Colômbia nos próximos meses.

Em seu primeiro discurso após ser empossado como presidente, Temer afirmou que as viagens têm o objetivo de "trazer recursos" para o Brasil e "revelar ao mundo que nós temos estabilidade política e segurança jurídica"

"Quero que divulguem isso para que não digam 'foi à China passear'. Faremos quatro discursos em quatro reuniões do G20", afirmou.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico em agosto, Temer disse também que buscaria atrair investimentos para o Brasil e acelerar a recuperação econômica do país. O governo se prepara para privatizar uma série de estradas, portos e aeroportos nos próximos meses e quer contar com investidores estrangeiros nos leilões.

"Eu fiz viagens quando era vice-presidente e via que todo mundo queria aplicar no Brasil", ele disse na entrevista. "Eu vou voltar a esses lugares e incentivar."

Melhorar imagem

Analistas ouvidos pela BBC Brasil afirmam que a estratégia de Temer não tem apenas fins econômicos.

Professora de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, Norma Breda dos Santos diz que, com as visitas, ele adotará uma postura comum entre líderes recém-eleitos - muitos dos quais fazem várias viagens antes mesmo de tomar posse - e tentará melhorar sua imagem em círculos internacionais.

Ela lembra que vários jornais estrangeiros - entre os quais o americano The New York Times e o britânico The Guardian - publicaram editoriais ou artigos questionando a legalidade do impeachment de Dilma Rousseff.

"É compreensível que Temer tenha a preocupação de ganhar alguma simpatia e reconhecimento como presidente definitivo", afirma a professora.

O processo que destituiu Dilma vem provocando reações variadas mundo afora. Grande parte dos países - entre os quais nações europeias, os EUA e vizinhos como Colômbia e Peru - adotaram um tom neutro e evitaram comentar o tema.

Entre os críticos do processo, estão líderes de esquerda - como o venezuelano Nicolás Maduro e o equatoriano Rafael Correa -, os secretários-gerais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Unasul, sindicatos e grupos de parlamentares de alguns países.

Já o governo da Argentina, investidores e empresários estrangeiros com negócios no Brasil têm se mostrado favoráveis à mudança no governo.

Palcos internacionais

Por enquanto, a maioria das viagens planejadas pela equipe de Temer nos próximos meses será para cúpulas internacionais, eventos em que líderes dos países-membros são convidados automaticamente.

Na China, ele participará de um encontro do G20, grupo formado pelas 20 maiores economias globais.

Em Nova York, em 20 de setembro, falará na abertura da reunião de chefes de Estado da Assembleia Geral da ONU (desde 1947, cabe ao Brasil o discurso inaugural do evento) e se encontrará com investidores.

Em 15 e 16 de outubro, comparecerá a uma reunião dos Brics (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na Índia e, no fim do mês, participará da Cúpula Ibero-Americana, na Colômbia. Este deverá ser o primeiro teste regional de Temer, quando poderá ser confrontado por líderes vizinhos críticos ao impeachment.

Filho de libaneses, Temer também disse querer visitar países árabes em seu giro internacional.

Fortalecer posição interna

Para Marcos Guedes, professor de relações internacionais e ciência política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Temer também buscará reforçar sua posição interna por meio das viagens.

"Ele tentará usar a presença dele junto a líderes internacionais para ganhar crédito junto à população brasileira", diz.

Mas o professor afirma ter dúvidas sobre a efetividade da estratégia, argumentando que muitos brasileiros ficaram "traumatizados com o processo de impeachment e que, historicamente, Temer sempre teve baixa aceitação popular".

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