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O 'efeito yuan' que fez os mais ricos do mundo perderem US$ 110 bilhões em um só dia

O empresário Jeff Bezos, fundador da Amazon - Abhishek N. Chinnappa/Reuters
O empresário Jeff Bezos, fundador da Amazon Imagem: Abhishek N. Chinnappa/Reuters

07/08/2019 16h52

A fortuna das 500 pessoas mais ricas do mundo sofreu uma perda gigantesca em apenas um dia depois da escalada da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

Segundo dados da Bloomberg, os maiores magnatas perderam na segunda-feira (05), em conjunto, 2,1% de seu patrimônio, valor equivalente a US$ 110 bilhões, depois da desvalorização da moeda chinesa, o yuan, causando a maior queda do ano nos mercados de ações.

Entre os afetados pelo "efeito yuan", o maior perdedor foi o fundador da Amazon, Jeff Bezos, cuja fortuna diminuiu em US$ 3,4 bilhões depois que as ações da empresa despencaram.

Apesar de tudo, Bezos continua sendo o homem mais rico do mundo, com uma fortuna estimada em US$ 110 bilhões.

Depois do furacão da segunda-feira, na terça-feira os mercados acordaram tranquilos e o yuan estabilizou seu valor. Assim, os bilionários gradualmente começaram a recuperar parte do terreno perdido.

No entanto, apesar das perdas sofridas pelos 500 bilionários em um único dia, o clube acumula um aumento de sua riqueza de 11% até agora este ano.

Em todo caso, se a "guerra comercial" continuar, os mercados devem cair novamente, como aconteceu toda vez que Washington ou Pequim mostraram seus dentes anunciando medidas de "combate" econômico.

Mas quanto cada um dos bilionários perdeu na segunda-feira? (em bilhões de dólares)

  • Jeff Bezos: -3,4
  • Berbard Arnault: -3,2
  • Mark Zuckerberg: -2,8
  • Mukesh Ambani: -2,4
  • Bill Gates: -2

'Os bilionários estão acostumados'

"A riqueza dos bilionários é dada de acordo com a capitalização de mercado que suas empresas têm", explica José Raúl Godoy, analista de mercado da XTB Latin America, em conversa com a BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

Portanto, quando o mercado de ações tem uma queda drástica, o preço das ações em geral diminui e impacta diretamente a riqueza dos magnatas.

"Isso sempre acontece. Sabemos que as ações estão sempre mudando. O índice da Standard & Poor's caiu 7% em relação às altas recordes da semana passada, mas agora está se recuperando."

"Bezos, Zuckerberg ou Gates estão acostumados com essa questão, não é algo que os faça mudar sua estratégia de negócios", acrescenta Godoy.

"O que eles fazem é procurar agir para que essas mudanças nas bolsas não os afetem tanto, e é por isso que eles estão diversificando suas fontes de renda."

Os efeitos da nova 'guerra fria'

"A guerra cambial e, em geral, a guerra comercial prejudicam tanto os EUA quanto a China", diz à BBC o economista Federico Furiase, diretor da consultoria EcoGo e professor da universidade argentina Torcuato Di Tella.

"Quando a tensão comercial aumenta, os mercados caem e isso afeta diretamente a riqueza."

Após a desvalorização do yuan, o dólar se fortaleceu imediatamente, "exatamente o que (o presidente americano) Donald Trump não quer que aconteça", explica.

"Trump quer um dólar baixo e taxas de juros baixas", analisa ele, mas no momento não existe esse cenário.

O interesse do presidente americano por um dólar baixo se deve ao fato de que ele querer reduzir o déficit comercial com a China e gerar empregos na indústria local, diz o especialista.

Por outro lado, um dólar alto reduz a competitividade da produção nacional americana no mercado internacional.

O outro risco para Washington é o fato de que a China é o maior detentor da dívida nos Estados Unidos (se medido por países credores) e, se o país decidir fazer alterações em sua carteira de títulos do Tesouro, as coisas podem ficar muito mais complicadas.

Do lado do gigante asiático, Pequim também entra na linha de fogo se continuar a desvalorizar o yuan, diz Furiase.

"A China arrisca uma saída de capital do país e um declínio no comércio global que a afetaria diretamente."

"Essa desvalorização ocorre no contexto de uma guerra fria na qual tanto a China quanto os Estados Unidos mostram suas armas e ambos têm muito a perder."

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