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Macri reduz aversão de investidores a títulos da Argentina

Carolina Millan

(Bloomberg) -- As políticas da Argentina tinham se tornado tão imprevisíveis nos últimos anos que os investidores se afastaram cada vez mais dos títulos sujeitos às leis do país. Agora o presidente Mauricio Macri está ajudando a dissipar essa aversão.

O total de US$ 4,5 bilhões em títulos locais do país para 2024 ganhou 5,7%, atingindo o nível mais alto em nove meses, desde a eleição de Macri no dia 22 de novembro. Isso contrasta com perdas médias de 1,8% dos títulos denominados em dólares de mercados emergentes.

Os investidores estão acumulando títulos locais da Argentina devido à confiança que o governo Macri vai evitar mudanças repentinas nas políticas, como uma série de controles cambiais, que marcou o mandato de sua antecessora, Cristina Kirchner, e que muitas vezes acarretou prejuízos.

Após a vitória na eleição, Macri escolheu Alfonso Prat-Gay, ex-executivo do JPMorgan e ex-presidente do banco central do país, amplamente respeitado, para ser ministro das Finanças e cumpriu a promessa de permitir a negociação livre do peso, reforçando ainda mais a confiança dos detentores de bonds na Argentina.

"Hoje você compra um bond pela lei local sabendo que tem Prat-Gay na equipe financeira", disse Joaquín Almeyra, trader de renda fixa da Bulltick em Miami. "Antes, os investidores pensavam, que talvez Kirchner não iria pagar ou mudaria as regras do jogo".

Macri, que assumiu no dia 10 de dezembro, também prometeu resolver uma disputa judicial de uma década com credores insatisfeitos liderados pelo bilionário Paul Singer, da Elliott Management.

Em julho de 2014, a Argentina deu o segundo calote em 13 anos após Cristina se recusar a obedecer a uma decisão de um tribunal dos EUA que exigia que o país pagasse Elliott e outros investidores que haviam entrado com processo para obter reembolso integral antes que o país honrasse sua dívida externa.

Em maio, os chamados credores holdout pediram que um juiz dos EUA incluísse os títulos locais da Argentina para 2024 na proibição porque eles tinham sido destinados a investidores internacionais quando foram vendidos em abril. A decisão ainda está pendente.

Os rendimentos sobre as notas caíram 2,1 pontos percentuais nos últimos três meses, para 7,9%, mostram dados compilados pela agência de notícias Bloomberg. Os rendimentos dos títulos no exterior da Argentina para 2033 caíram 1,6 ponto percentual no período.

O banco central da Argentina não intervém no mercado de câmbio desde a permissão para que o peso flutuasse, em 17 de dezembro, dando um fim a uma queda diária nas reservas internacionais do país.

A decisão de Macri de acabar com os controles cambiais, que levou à queda de 27% do peso, faz parte de uma reformulação econômica mais ampla que tem o objetivo de atrair capital para um país que sofre com uma inflação estimada em cerca de 30%, um crescimento anêmico e com a falta de confiança empresarial.

As medidas bem sucedidas do governo para se preparar para uma moeda de livre flutuação têm sido fundamentais para aumentar a confiança do investidor, disse Patrick Esteruelas, analista sênior para títulos soberanos da EMSO Asset Management, que administra US$ 2,6 bilhões.

"Há uma confiança crescente neste governo", disse ele, de Nova York. "Isso removeu muitos dos medos de investir em instrumentos denominados em dólares, incluindo aqueles regidos pelas leis locais".

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