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Brasil pode se tornar fonte de milho branco para África do Sul

Andre Janse van Vuuren

(Bloomberg) -- Os compradores sul-africanos de milho branco poderão contratar produtores na América do Sul para se abastecer depois que a pior seca desde 1992 estragou a colheita do principal alimento básico do país, segundo a maior associação de produtores.

O Brasil e a Argentina poderiam se tornar fontes importantes de milho branco para a África do Sul a partir do fim de 2016 porque as produtoras de alimentos buscam até 2,5 milhões de toneladas para o ano comercial que vai até abril de 2017, disse Wandile Sihlobo, economista da Grain, por telefone, na quinta-feira.

Um carregamento tão grande superaria o recorde anterior das importações de milho branco, de 747 mil toneladas, estabelecido em 1996, em mais de três vezes, segundo o Serviço de Informações de Grãos da África do Sul, o Sagis, que compila dados desde 1992.

O Brasil já entregou 299 mil toneladas de milho amarelo à África do Sul desde maio, segundo o site do Sagis, porque com a alta recorde nas temperaturas e a seca persistente os agricultores do país poderiam produzir a menor safra desde 1995.

O milho branco é usado na África do Sul para a preparação de um alimento básico conhecido como pap e o milho amarelo é usado principalmente como ração animal. O Brasil é o segundo maior exportador de milho do mundo.

"Se o apetite pelo milho branco continuar, algumas produtoras de alimentos poderão pedir que os produtores do Brasil cultivem o grão para eles", disse Sihlobo. "Os brasileiros verão isso como uma oportunidade". A Argentina é outra possível fonte depois que seu governo cancelou os impostos sobre as exportações de milho, no mês passado, disse ele.

Escassez de oferta

O México, maior produtor de milho branco do mundo, utiliza a maior parte de sua colheita para consumo local. Outros países produtores líderes, como Malawi e Zâmbia, também estão sofrendo uma escassez de oferta.

A África do Sul poderá importar até 5 milhões de toneladas de milhos amarelo e branco no período de 12 meses a partir de maio, disse Jannie de Villiers, presidente executivo da Grain, por telefone, na quarta-feira.

A demanda doméstica para o ano atual está projetada em 10,5 milhões de toneladas, disse o Comitê de Estimativas de Oferta e Demanda de Grãos e Oleaginosas em 27 de novembro.

A necessidade de importações pode ser compensada se os sul-africanos optarem por outros alimentos básicos, como o arroz, disse Sihlobo.

O preço do milho branco na África do Sul mais do que dobrou desde o início do ano passado, atingindo uma alta recorde em 6 de janeiro e caindo 4,5% desde então para 4.645 rands (US$ 291) por tonelada às 9h28 em Joanesburgo. O milho amarelo subiu 60%.

O maior produtor de milho da África provavelmente vai semear a menor área com o grão desde 2011, disse o Comitê de Estimativas da Safra do governo, em 27 de outubro. Desde então, muitas regiões da África do Sul têm experimentado temperaturas recorde e poucas chuvas. O comitê emitirá uma avaliação atualizada sobre o plantio em 27 de janeiro.

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