Produção industrial alemã cai inesperadamente por China e Brasil

Nicholas Brautlecht

(Bloomberg) -- A produção industrial alemã caiu em novembro, principalmente por causa dos bens de investimento, em um sinal de que a desaceleração de mercados como China e Brasil poderá pesar sobre o crescimento econômico do país europeu.

A produção, ajustada por oscilações sazonais e pela inflação, caiu 0,3 por cento em relação a outubro, quando subiu um total revisado de 0,5 por cento, mostraram dados do Ministério da Economia, em Berlim, nesta sexta-feira. A leitura, que tende a ser volátil, contrasta com a estimativa média de ganho de 0,5 por cento de uma pesquisa da Bloomberg com economistas. A produção industrial francesa caiu 0,9 por cento, segundo um comunicado separado.

A associação comercial alemã BGA alertou nesta semana que a "desaceleração brusca" na China empurrará a maior economia da Europa para uma recessão e argumentou que o euro desvalorizado está exagerando a força econômica do país. O Bundesbank, o banco central alemão, expressou confiança na recuperação, com uma expectativa de recuperação do comércio global e um consumo privado robusto tirando proveito do baixo nível recorde de desemprego e dos salários crescentes.

"O impulso econômico na Alemanha continua sendo alimentado pelo consumo privado e público e, adicionalmente, pela recuperação do setor da construção", disse Christian Lips, economista da NordLB em Hanover. "A economia da China entrou no foco novamente nesta semana", mas "no caso da Alemanha, estamos convencidos de que a recuperação econômica continuará", disse ele.

A China abalou os mercados financeiros de todo o globo depois que os preços das ações caíram e que o yuan perdeu valor, gerando o temor de que a desaceleração na maior economia da região está se aprofundando. O Fundo Monetário Internacional prevê que o crescimento no país asiático cairá para 6,3 por cento neste ano, contra 6,8 por cento em 2015.

Os exportadores alemães estão reagindo a isso voltando seu foco a economias em recuperação, como os EUA. Os embarques para a maior economia do mundo subiram mais de 20 por cento no período de 10 meses até outubro em relação ao ano anterior, enquanto as vendas para a China caíram 4,2 por cento.

As vendas internacionais totais subiram 0,4 por cento em novembro, disse o Departamento Federal de Estatísticas na sexta-feira. As importações subiram 1,6 por cento em relação ao mês anterior.

Na França, a atividade industrial cresceu 0,4 por cento em novembro após uma queda da mesma magnitude no mês anterior.

A produção industrial alemã caiu 0,8 por cento, impulsionada por um declínio de 3,3 por cento na produção de bens de investimento. A produção energética subiu 2,5 por cento e a construção trepou 1,6 por cento.

"As empresas fabricantes hesitaram em planejar a produção no último trimestre de 2015", disse o ministério em um comunicado. "A desaceleração em alguns mercados emergentes foi decisiva para isso. Contudo, as encomendas fabris aumentaram ultimamente e a confiança empresarial também melhorou".

O ministério disse na quinta-feira que as encomendas industriais alemãs subiram 1,5 por cento em novembro porque a demanda por produtos básicos registrou o maior aumento em quase cinco anos.

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