Petróleo atinge mínima em 12 anos e barril a US$ 20 é possível

Dan Murtaugh e Robert Tuttle

(Bloomberg) -- O mundo praticamente ignorou, 11 meses atrás, quando o chefe de pesquisa de commodities do Citigroup, Ed Morse, disse que o petróleo poderia cair para US$ 20.

Mas está prestando atenção agora que o óleo ficou abaixo de US$ 30.

Nos EUA, os contratos futuros do petróleo bruto mergulharam para a casa dos US$ 20 pela primeira vez em mais de 12 anos na terça-feira (12), horas depois de a BP dizer que eliminaria mais 4.000 empregos, de a Petrobras reduzir seu plano de investimento e de a Petroliam Nasional alertar que enfrenta vários anos de dificuldade.

Morse, que escreveu em uma nota técnica em 9 de fevereiro que o petróleo poderia cair "talvez até a faixa de US$ 20 por um tempo", disse em Calgary, Canadá, na terça-feira, que o mundo agora encara um petróleo a US$ 20.

"O número US$ 20 é algo sobre o qual é preciso falar", disse Morse. "Se já se viu uma queda de US$ 10 e o WTI está sendo negociado pouco acima de US$ 30, a probabilidade é bastante grande. Os mercados de petróleo claramente não podem manter um preço abaixo do nível de US$ 30 por muito tempo. A pergunta é por quanto tempo mais".

O West Texas Intermediate chegou a cair para US$ 29,93 o barril antes de fechar em US$ 30,44 na terça-feira, nível mais baixo desde dezembro de 2003. Era negociado na manhã desta quarta-feira (13), em Londres, a US$ 30,79.

Desafios de financiamento

Os preços baixos poderiam causar problemas para as empresas petrolíferas dos EUA com cláusulas que especificam certas proporções de dívida e lucro ou cobertura de juros e tornarão ainda mais difícil a obtenção de financiamento para que continuem operando, disse Mark Sadeghian, diretor sênior do grupo de energia e commodities da Fitch Ratings.

Inundação de oferta

O Bloomberg Commodities Index atingiu o nível mais baixo desde 1991, pelo menos, porque a demanda das economias emergentes, que estão desacelerando, não consegue manter o ritmo devido à inundação de oferta gerada pelos investimentos feitos durante a alta dos preços, meia década atrás.

A Malásia deverá perder 300 milhões de ringgits, moeda local (US$ 68 milhões), para cada recuo de US$ 1 do barril de petróleo, segundo estimativas do governo.

A ConocoPhillips está perdendo US$ 1,79 bilhão em lucro líquido por trimestre a cada queda de US$ 10 nos preços, segundo analistas do Barclays.

A Petrobras reduziu seu plano de negócios de cinco anos para US$ 98,4 bilhões, o mais recente ajuste ao programa original de US$ 130 bilhões anunciado no ano passado.

Reequilíbrio em 2017

A Administração de Informação de Energia dos EUA reduziu sua projeção para os preços do WTI para 2016 em 24 por cento, para US$ 38,54 o barril. Em seu Short-Term Energy Outlook, um relatório mensal, a agência disse que o mercado do petróleo se reequilibraria em 2017.

A projeção de um petróleo próximo dos US$ 20 ganhou corpo. O Goldman Sachs Group atribuiu uma chance de 50 por cento à queda do petróleo a US$ 20 em setembro e o Morgan Stanley disse na segunda-feira que o dólar forte poderia fazer o petróleo cair para menos de US$ 30. Morse foi o primeiro a projetar os US$ 20, embora tenha dito em fevereiro passado que essa situação poderia acontecer no primeiro semestre de 2015 e que na sequência o mercado se equilibraria.

"No momento o verdadeiro fator determinante é o acesso aos mercados de capitais", disse Sadeghian, por telefone, de Chicago. "O petróleo a US$ 20 simplesmente cava um buraco ainda mais profundo onde você precisa estar antes de os mercados se abrirem novamente".

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