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2016 deve ser ainda pior para oferta de ações, diz líder BTG

Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- Para aqueles que pensavam que o mercado brasileiro para vendas de novas ações foi ruim em 2015, o principal coordenador de ofertas de ações tem um prognóstico sombrio.

"O mercado de oferta de ações talvez seja ainda pior neste ano", disse Guilherme Paes, um dos sete principais sócios e chefe do banco de investimento do BTG Pactual, o mais ativo coordenador de ofertas de ações de 2015, segundo dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

"Não há transações de emissão de ações previstas para o primeiro trimestre de 2016 e é muito provável que também não tenha nenhuma no segundo trimestre de 2016".

Esta é uma perspectiva sombria para um país que chegou a ser o segundo maior mercado emergente do mundo para ofertas públicas iniciais. Em 2015, o Brasil não chegou nem na lista dos 15 maiores, ficando atrás até mesmo de países como Vietnã e República de Trinidad e Tobago.

As ofertas de ações e um único IPO movimentaram pouco mais de US$ 7 bilhões em 2015, segundo dados compilados pela Bloomberg. O montante é o menor em uma década e representa uma queda de 92 por cento em relação ao auge do Brasil, em 2010, quando os bancos participaram de US$ 90 bilhões em ofertas de ações.

A demanda por ações brasileiras secou porque os lucros das empresas estão sendo atingidos pela pior recessão em mais de um século e por uma queda nos preços das commodities.

A confiança do investidor também caiu devido ao envolvimento de autoridades em acusações de corrupção relacionadas a contratos concedidos pela Petrobras e a um impasse político que está minando os esforços para recolocar a economia nos trilhos. Segundo projeção dos economistas, o PIB (Produto Interno Bruto) encolherá 2,5% em 2016 após uma contração estimada em 3,6% no ano passado.

O Ibovespa caiu 1,4% na quarta-feira, para próximo do nível mais baixo em sete anos, de 38.944,44. O índice caiu 77% em dólares desde seu pico, em 2010.

"Fazer um grande acordo nesse mercado depreciado não é atrativo para as companhias, que teriam de deixar muito dinheiro na mesa", disse Paes em entrevista de São Paulo, acrescentando que algumas transações menores, como vendas de bloco ou vendas para investidores qualificados ainda podem acontecer, pois são mais rápidas para fechar e não ficam tão sujeitas à volatilidade do mercado, segundo ele.

Preocupação com a China

Não é apenas o cenário doméstico tenso que está matando a venda de ações do Brasil. Os mercados globais estão sofrendo o impacto do temor de que a China, a segunda maior economia do mundo, possa perder força. A queda dos preços das commodities e o aumento da taxa de juros dos EUA ampliam a incerteza, disse Christian Egan, do Itaú Unibanco.

"Os mercados chineses estiveram muito estressados já na entrada do ano", disse Egan, sub-chefe do banco corporativo e de investimento do Itaú Unibanco, que ficou empatado no quinto lugar entre os coordenadores de ofertas de ações no Brasil em 2015. "A volatilidade no mercado global de ações está muito alta".

O mercado para a venda de títulos de dívida brasileiros também parou. Nenhuma empresa brasileira vendeu títulos de dívida no exterior de junho para cá -- maior seca desde 1999, pelo menos, mostram dados compilados pela Bloomberg.

As empresas que precisam captar dinheiro e estão fora dos mercados de ações e de dívidas provavelmente vão preferir alternativas como a venda de uma participação para fundos de private equity ou investidores estratégicos, segundo Roderick Greenlees, chefe da divisão de banco de investimento do Itaú.

"O pipeline para a emissão de novas ações brasileiras não é muito promissor", disse ele.

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