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Bilionário atenderá demanda de combustível da Nigéria

Elisha Bala-Gbogbo

(Bloomberg) -- Após esperar na fila por mais de quatro horas para comprar gasolina em Abuja, capital da Nigéria, o taxista Adebayo Olawole se considerou sortudo por ter conseguido encher meio tanque. Na véspera, quando chegou sua vez, ele foi informado de que o combustível tinha acabado.

"Não ganhei nada de dinheiro nos últimos dois dias", disse Olawole, 38, perto de um posto da Total Nigeria no distrito de Garki. "Hoje é meu dia de sorte".

A escassez de gasolina é comum no maior produtor de petróleo da África, que importa a maior parte de seu combustível refinado, o que exerce pressão sobre as finanças e a moeda do país. Décadas de manutenção ruim, corrupção e má gestão deixaram as quatro refinarias estatais da Nigéria com uma fração de sua capacidade.

Embora a pior escassez em uma década quase tenha parado a economia do país da África Ocidental em maio, com a eletricidade sendo gerada por diesel e os serviços de telefonia à beira do colapso, a situação criou oportunidades de investimento para gente como Aliko Dangote, o homem mais rico da África, dono de uma fortuna de US$ 14 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.

Empresa de cimento

Dangote, que ganhou a maior parte de seu dinheiro com sua empresa africana de cimento, está construindo uma refinaria de petróleo com capacidade para 650.000 barris por dia e uma usina petroquímica na capital comercial, Lagos, com término programado para o início de 2018. A instalação, com capacidade para 55,2 milhões de litros de gasolina por dia, produzirá outros combustíveis, além de fertilizante e polímero, segundo Devakumar Edwin, CEO da Dangote Group.

"Trata-se de uma refinaria bastante grande. Nós conseguimos suprir toda a necessidade de gasolina do país", disse ele.

Concluída, a refinaria seria a quinta maior do mundo, atrás de usinas da Venezuela, da Coreia do Sul e da Índia, segundo dados compilados pela Bloomberg. Seria também a maior refinaria do mundo com um único trem de refino, disse Dangote a repórteres, no local da construção, em 10 de janeiro.

"Descendo a costa a partir da Nigéria até o Senegal, incluindo todos os países no meio, quase não há refinarias em funcionamento. A exceção é uma unidade na Costa do Marfim", disse Dolapo Oni, chefe de pesquisa de energia do Ecobank Transnational em Lagos. "Dangote conseguirá ligar esse mercado".

A refinaria da Costa do Marfim tem a capacidade de processar 65.000 barris de petróleo por dia, segundo o site da empresa, a Société Ivoirienne de Raffinage.

As refinarias da Nigéria têm o equipamento instalado para processar 445.000 barris de petróleo por dia, mas em 2015 operaram em média usando 5 por cento dessa capacidade, segundo a estatal Nigerian National Petroleum. O governo do presidente Muhammadu Buhari descartou a venda dos ativos, visando a financiar sua recuperação, mesmo que as receitas do governo tenham sido reduzidas pela queda de mais de 72 por cento nos preços do petróleo desde o pico de 2014, para o nível mais baixo em 11 anos. O petróleo responde por dois terços das receitas da Nigéria e por cerca de 90 por cento de seus ganhos em moeda estrangeira.

Os controles de preço custaram US$ 35 bilhões à maior economia da África entre 2010 e 2014 e beneficiaram principalmente a elite da Nigéria, que consumiu mais combustível do que os pobres, segundo um relatório do Banco Mundial. O custo do litro de gasolina na Nigéria atualmente está em US$ 0,43, contra US$ 0,74 na África do Sul, US$ 1 na Costa do Marfim, US$ 1,16 em Angola e US$ 1,04 em Camarões, um país vizinho, segundo o site globalpetrolprices.com.

"Se o governo opera o regime de subsídios, nós podemos vender ao governo pelo preço subsidiado", disse Edwin, da Dangote Group. "Se não há um regime de subsídios, venderemos diretamente aos distribuidores. Por isso, nossas operações praticamente não serão afetadas".

 

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