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Títulos de bilionários caem com corte de subsídios na Argentina

Pablo Gonzalez

(Bloomberg) -- Os investidores em títulos da Pan American Energy, maior exportadora de petróleo da Argentina, estão se transformando nos maiores perdedores da chegada de Mauricio Macri à presidência.

A empresa, administrada pela bilionária família Bulgheroni, viu seus US$ 500 milhões em notas com vencimento em 2021 caírem 4,4 por cento desde a vitória de Macri, em 22 de novembro, queda mais acentuada do mercado de dívidas corporativas da Argentina, mostram dados compilados pela agência de notícias Bloomberg.

Desde sua eleição, Macri começou a reduzir os subsídios criados por sua antecessora, Cristina Kirchner, que permitiam que a Pan American Energy vendesse seu petróleo a um preço significativamente acima dos níveis internacionais.

Em 6 de janeiro, o governo reduziu o preço do petróleo da empresa em 12%, para US$ 54,90 o barril, e disse que planeja eliminar a diferença em relação aos mercados internacionais. Na quarta-feira, o petróleo Brent, uma referência internacional, caiu para menos de US$ 30 o barril pela primeira vez desde abril de 2004.

"O mercado está começando a precificar um prêmio de risco diferente pela exposição a cada tipo de petróleo produzido no país", disse David Tawil, presidente e cofundador do fundo hedge distressed Maglan Capital. "Tudo relacionado ao petróleo será negociado por menos em consonância com o tamanho da queda do preço do petróleo no mercado aberto".

A assessoria de imprensa da Pan American Energy não respondeu às mensagens telefônicas e aos emails em busca de comentários sobre os subsídios e sobre os preços dos títulos da empresa.

A BP, que tem sede em Londres, possui 60 por cento da Pan American Energy, enquanto a Bridas, um empreendimento da família Bulgheroni com a chinesa CNOOC, tem uma participação de 40 por cento na companhia. Carlos e Alejandro Bulgheroni são os homens mais ricos da Argentina.

Em dezembro, a Pan American Energy paralisou a perfuração em seu campo Cerro Dragón, na província de Chubut, onde a empresa gera dois terços de sua produção. Em uma carta ao governo, de 11 de janeiro, a produtora de petróleo disse que terá que reduzir a produção e cortar empregos se não receber um subsídio à exportação.

No final de 2014, em uma tentativa de eliminar um déficit energético de US$ 6 bilhões e proteger empregos no setor antes das eleições presidenciais, a Argentina aumentou os preços domésticos do petróleo para proteger as empresas petrolíferas da queda nos mercados internacionais. Com o subsídio, os motoristas argentinos pagam cerca de 32 por cento a mais para encherem o tanque do que seus vizinhos do Brasil.

Férias coletivas

O total de plataformas da Argentina caiu 10 unidades em dezembro, para 81, menor total registrado desde novembro de 2013, segundo a Baker Hughes. Esse número deverá cair ainda mais, em parte depois que a Pan American Energy colocou os funcionários em férias obrigatórias, no mês passado.

Os títulos da empresa agora atingiram o nível mais baixo em 23 meses, de 95.98 centavos de dólar, elevando os rendimentos para 8,84%, às 10h30 no horário de Nova York.

"A redução no preço local, juntamente com a queda nos preços internacionais do petróleo e nos incentivos para o investimento de empresas estrangeiras no setor na Argentina" estão punindo as notas da Pan American Energy, disse Richard Segal, analista de mercados emergentes da Manulife Asset Management em Londres.

 

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