Minério de ferro pode cair para faixa de US$ 20, diz Citigroup

Jasmine Ng

(Bloomberg) -- Após o petróleo cair para a faixa dos US$ 20 nesta semana, o minério de ferro seguirá o mesmo caminho?

"Existe uma forte possibilidade do minério de ferro cair para menos de US$ 30 em 2016", disse o chefe de pesquisa de commodities do Citigroup para a Ásia, Ivan Szpakowski, em entrevista nesta quinta-feira, depois que o banco reduziu as projeções de preço até 2018 em um relatório. No primeiro semestre, "a maior pressão estará, na verdade, no lado da demanda. Virá da demanda fraca por aço na China", disse Szpakowski.

A matéria-prima é vista em US$ 36 neste ano, 12 por cento abaixo da projeção anterior, e em US$ 35 em 2017 e em 2018, contrastando com as previsões iniciais de US$ 39 e US$ 40, escreveram os analistas incluindo Szpakowski no relatório de 14 de janeiro. O cenário base para um horizonte de três anos foi reduzido de US$ 40 para US$ 35, enquanto a projeção pessimista ficou em US$ 28.

O minério de ferro está em queda porque as maiores mineradoras do mundo, incluindo a Rio Tinto e BHP Billiton, na Austrália, e a Vale, expandiram a produção de baixo custo em meio à estagnação do crescimento da demanda na China. Os custos mais baixos, incluindo frete e energia, e a desvalorização das moedas nos países produtores estão permitindo que os fornecedores reduzam suas taxas de equilíbrio e resistam a preços mais baixos. Os custos caíram mais do que o esperado, disse o banco.

'Evolução dos custos'

"Considerando a necessidade do mercado de mais reduções, nós vemos a evolução dos custos como um dos dois fatores mais importantes para o mercado de minério de ferro, juntamente com as decisões políticas chinesas que afetam a demanda pelo aço", disse o banco no relatório. "Prevemos desafios para o minério de ferro no futuro".

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue em Qingdao subiu 1,8 por cento na quinta-feira, para US$ 40,22 a tonelada, após cair 4,1 por cento um dia antes, para US$ 39,51, segundo a Metal Bulletin. A commodity usada na fabricação do aço atingiu um valor mínimo de US$ 38,30 em 11 de dezembro, um recorde nos preços diários de maio de 2009 até hoje.

A produção de aço da China provavelmente encolherá 2,6 por cento neste ano com o enfraquecimento do consumo local e com siderúrgicas encontrando uma oposição mais dura às exportações, estimou Szpakowski. A oferta caiu 2,2 por cento, para 738,38 milhões de toneladas, nos 11 primeiros meses do ano passado, segundo dados oficiais. A China, que produz cerca de metade do aço do mundo, deverá informar sua produção no ano completo em 19 de janeiro.

"Segundo nossa projeção pessimista, acreditamos que a médio prazo os preços precisariam cair para cerca de US$ 28 a tonelada, devido principalmente à suposições de petróleo e de moedas de países exportadores mais fracos", disse o Citigroup no relatório. A projeção otimista coloca o minério de ferro em US$ 45. "Essas projeções de médio prazo representam níveis médios e estima-se que os preços flutuarão abaixo e acima desses níveis".

As ações da Rio Tinto caíram 1,8 por cento, para 38,85 dólares australianos em Sidney, preço de encerramento mais baixo desde 2009, enquanto a BHP subiu 0,7 por cento, encerrando três dias de prejuízos. No Brasil, a Vale caiu 31 por cento neste ano após uma perda de 47 por cento em 2015.

A Capital Economics levantou a possibilidade de um minério de ferro abaixo de US$ 30 neste ano em uma projeção feita no fim de 2015, dizendo que a commodity poderá cair para a casa dos US$ 20 no primeiro semestre em meio ao aumento da oferta, e subir na sequência.

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