Emergentes perderam US$ 735 bi em 2015 liderados por China

Christopher Langner

(Bloomberg) -- Os investidores globais e empresas retiraram US$ 735 bilhões de mercados emergentes em 2015, pior fuga de capital em pelo menos 15 anos, disse o Instituto de Finanças Internacionais , o IIF.

O montante foi quase sete vezes maior que o registrado em 2014, disse o instituto em um relatório, na quarta-feira. A China foi a maior perdedora: US$ 676 bilhões deixaram seus mercados. O IIF previu que os investidores poderão retirar US$ 348 bilhões de países em desenvolvimento neste ano.

As ações dos mercados emergentes estão sendo negociadas nos níveis mais baixos desde maio de 2009 e um indicador de 20 moedas caiu a um nível recorde. O colapso dos preços das commodities e o temor em relação à desaceleração do crescimento da China ao nível mais fraco desde 1990 estão impulsionando investidores a se desfazer de ativos de países como China, Rússia e Brasil. Os 31 maiores mercados em desenvolvimento perderam US$ 2 trilhões em valor de ações desde o início de 2016.

"Vimos saídas massivas dos mercados emergentes em benefício da zona do euro e do Japão", disse Ibra Wane, estrategista de ações da Amundi Asset Management em Paris, que administrava 954 bilhões de euros (US$ 1 trilhão) até 30 de setembro. "Investidores institucionais foram mais atraídos por essas regiões".

Instabilidade cambial

Wane disse que a mudança nos fluxos é resultado das mudanças na política monetária. Em dezembro, o Fed elevou suas taxas de juros pela primeira vez em quase uma década, o que também leva parte da culpa pela volatilidade das moedas em mercados emergentes.

"Eu prefiro olhar primeiro para a estabilização das moedas", disse Wane. "Se isso se tornar realidade, então provavelmente os fluxos viriam na sequência".

Todas as 24 moedas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg se desvalorizaram em relação ao dólar no último ano. O peso argentino, o real e o rand sul-africano foram os mais atingidos.

"Países com grandes déficits em conta-corrente, altos níveis de endividamento corporativo em moeda estrangeira e uma estrutura de políticas macro questionável ficariam sob uma pressão particular na eventualidade de um aperto maior nos mercados emergentes", disse o relatório do IIF. "Entre os países sob risco estão Brasil, África do Sul e Turquia".

A queda de 5,5 por cento do yuan nos últimos 12 meses foi um dos motivos da saída de capital da segunda maior economia do mundo, segundo o relatório do IIF.

"As saídas de capital de 2015 refletiram principalmente os esforços das corporações chinesas de reduzir a exposição ao dólar, após anos de pesado endividamento em dólar, com expectativas de persistente valorização do yuan substituídas por elevadas preocupações sobre o enfraquecimento da moeda", disse o relatório.

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