Moody's reduz projeção para o petróleo para acelerar cortes

Christopher Langner

(Bloomberg) -- A Moody's Investors Service revisou sua projeção de preço para o petróleo neste ano e começou a reavaliar as classificações das empresas petrolíferas, unindo-se à Standard Poor's, que projetou preços mais baixos para o petróleo e começou a rebaixar as empresas do setor.

A Moody's reduziu as estimativas de preço para 2016 para o West Texas Intermediate e para o petróleo Brent para US$ 33 o barril e projetou que o preço de ambos os tipos de petróleo subirá US$ 5 por barril em média em 2017 e 2018. Após a mudança, a Moody's colocou 69 empresas de exploração e produção nos EUA em análise para possíveis rebaixamentos. A S&P alterou sua projeção para o preço de ambos os tipos de petróleo para US$ 40 em 12 de janeiro.

Os novos cortes na classificação aumentam a pressão sobre um setor que já levou a falências globais em 2015 depois que o preço do Brent caiu 72 por cento nos últimos dois anos. Apesar de a commodity ter recuperado mais de 5 por cento nos últimos dois dias, investidores e credores estão se preparando para uma nova rodada de falências corporativas. Os quatro maiores bancos dos EUA -- Bank of America, Citigroup, JPMorgan Chase Co. e Wells Fargo Co. -- separaram pelo menos US$ 2,5 bilhões combinados para cobrir a complicação dos empréstimos para o setor de energia e disseram que aumentarão esse montante se os preços continuarem baixos.

Impacto no crédito

"Isso poderia provocar um impacto maior sobre as empresas com grau de investimento e não sobre aquelas com yields altos", disse Raymond Chia, chefe de pesquisa de crédito para a Ásia (exceto Japão) da Schroder Investment Management em Cingapura. Ele ressaltou que os bonds junk do setor de energia já estão sendo negociados a níveis deprimidos após sofrerem rebaixamentos nos últimos seis meses. "A chave aqui é que teremos de ver quantas novas revisões de projeções seriam realizadas".

Na sexta-feira, a S&P reduziu a classificação da australiana Santos Ltd. para o nível mais baixo de grau de investimento e manteve uma perspectiva negativa para a empresa, o que indica que poderia rebaixá-la para junk, citando os baixos preços do petróleo.

Em dezembro, a Moody's e a S&P divulgaram relatórios mostrando que o número de empresas no degrau mais baixo do território junk com perspectiva negativa atingiu o nível mais alto em cinco anos. Ambas as agências de classificação disseram que as empresas do setor de energia e aquelas com exposição a ele apresentam os maiores riscos de distress.

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