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Casa de US$ 3,68 milhões na Califórnia tem tudo, menos compradores

Prashant Gopal

  • Divulgação

(Bloomberg) - A mansão de seis quartos à sombra das montanhas Sierra Madre, no sul da Califórnia, tem limeiras e uma piscina, quadras de tênis e uma sauna - o tipo de lugar que teria sido vendido rapidamente há apenas um ano, de acordo com a corretora imobiliária Kanney Zhang.

Mas não agora.

Zhang está oferecendo-a com desconto, por US$ 3,68 milhões, mas ninguém está se convencendo.

Os clientes dela, um casal da China, estão ficando nervosos. Eles são o tipo de investidor internacional rico que alimentou um boom de quatro anos no mercado de imóveis de luxo e tirou os EUA de sua pior crise imobiliária desde a década de 1930. Agora o casal está consternado com a queda forte do mercado acionário chinês e quer captar dinheiro para fortalecer as finanças.

Causas externas

Em todos os EUA, a história é praticamente a mesma. Os infortúnios econômicos do mundo - na China, na Rússia e na América do Sul, por exemplo - estão abafando as vendas no mercado imobiliário de alta gama.

A loucura dos mercados acionários internacionais e a desvalorização de moedas provocada, em parte, pela queda dos preços do petróleo estão diminuindo a demanda por mansões, coberturas e imóveis de férias.

"Há volatilidade na China e na Rússia, e tem a questão do petróleo no Oriente Médio - não duvido de que há um impacto no mercado de forma geral", disse Dan Conn, diretor executivo da Christie's International Real Estate, marca de imóveis de luxo da casa de leilões. "Não veremos aumentos materiais nos preços na maioria dos mercados".

Os preços para as transações imobiliárias americanas na faixa superior de 5% ficaram estáveis em 2015 enquanto os preços de todas as outras casas aumentaram 4,9%, segundo dados da Redfin, corretora imobiliária e provedora de dados.

Em Arcadia, subúrbio de Los Angeles onde Zhang está tendo dificuldades para vender a casa de seis quartos, dezenas de casas de fazendas foram demolidas para dar lugar a 38 mansões construídas pensando nos compradores chineses.

Elas têm gramas bem cuidadas, fogões para wok e chegam a custar US$ 12 milhões. Muitas estão vazias porque os preços estão fora do alcance da maioria dos compradores domésticos, disse Rudy Kusuma, corretor da Re/Max, que responsabiliza as medidas drásticas tomadas pelos chineses para evitar que grandes quantias saiam do país.

Aumento entre as mais baratas

Muitas famílias da Ásia e do Oriente Médio continuam recorrendo aos EUA porque este país é o lugar mais seguro para deixar o dinheiro ou ir morar se precisarem de outra casa, disse Tim Lappen, presidente do conselho de grupos de casas de luxo e escritórios familiares da firma de advocacia Jeffer Mangels Butler Mitchell em Los Angeles.

A verdadeira prova para o mercado dos EUA virá depois do Super Bowl, no dia 7 de fevereiro, quando começa a principal temporada de compra de casas.

Como a taxa de desemprego dos EUA ronda os 5%, a mais baixa em quase oito anos, a demanda por casas mais baratas aumentou, disse Sam Khater, vice-economista-chefe da provedora de dados imobiliários CoreLogic.

O preço das residências nos endereços mais baratos dos EUA teve um crescimento anual em novembro duas vezes maior que o avanço de 4,3% registrado pelas casas mais caras, de acordo com uma análise da Zillow de CEPs representativos de cada região metropolitana coberta pela empresa.

"O mercado acionário é o termômetro da confiança do consumidor dos compradores de imóveis de alta gama", disse Khater.

Ofertas

Depois de um 2015 estável, o índice Standard Poor's 500 despencou 8%. Os preços de referência do petróleo agora rondam US$ 30 por barril, em comparação com mais de US$ 100 em 2014.

O dólar subiu 8% frente às 10 principais moedas nos últimos 12 meses, o que encareceu o mercado imobiliário dos EUA para os compradores estrangeiros, de acordo com o Bloomberg Dollar Spot Index.

Os compradores agora estão em busca de ofertas, disse Nela Richardson, economista-chefe da Redfin. "Há um limite até para o que uma pessoa rica vai gastar", disse ela.

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