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Paulson usa fortuna pessoal para apoiar hedge funds em queda

Bloomberg

Miles Weiss (Bloomberg) - John Paulson, o gerente de hedge funds que está lutando com retornos irregulares desde que sua aposta contra os imóveis dos EUA em 2007 rendeu lucros inesperados, recorrerá à própria fortuna para ajudar a sustentar sua empresa.

O bilionário usou seus investimentos pessoais em quatro dos hedge funds de sua empresa como garantia adicional para uma linha de crédito da Paulson Co. com o HSBC Bank USA há pelo menos cinco anos, segundo um documento apresentado no mês passado perante o estado de Nova York. Os ativos também funcionarão como garantia para uma nova linha de crédito pessoal para Paulson.

Paulson está empregando sua fortuna para apoiar os empréstimos da empresa depois que perdas de investimentos e a deserção de clientes reduziram os ativos para menos de metade do pico. O declínio está corroendo as taxas comprometidas pela Paulson Co. como garantia pela linha de crédito original, da qual a companhia depende para pagar gastos e funcionários.

"Se as finanças da empresa não apoiam a linha de crédito, consegue-se alguém assim para fornecer uma melhoria do crédito", disse Thomas Leslie, advogado da Greenberg Traurig LLP que representou emissores de empréstimos garantidos por juros de hedge funds.

Gastos de rotina

Às vezes, gerentes de recursos criam linhas de crédito renováveis para pagar gastos de rotina, assim como um fabricante ou varejista poderia conseguir financiamento para pagar o estoque e para cobrir outras necessidades de capital de giro. Armel Leslie, membro da Peppercomm, que trabalha como porta-voz da Paulson, que tem sede em Nova York, disse que a empresa tem uma linha de crédito há pelo menos cinco anos para lidar com o fluxo de caixa no curto prazo.

Os documentos mostram que a Paulson Co. garantiu sua linha de crédito em dezembro de 2010 com taxas anuais de gestão de cinco de seus hedge funds, uma forma comum de garantia no setor. Os fundos da empresa cobram dos clientes externos uma taxa de gestão padrão anual de 1 por cento a 2 por cento dos ativos e uma taxa por desempenho pelo total de 20 por cento dos lucros, segundo seu mais novo registro de assessores de investimentos.

A garantia pode ter se desvalorizado desde que a Paulson Co. entrou no acordo. Os ativos sob gestão da companhia, que geram as taxas, caíram cerca de 50 por cento, para US$ 18 milhões, desde que a Paulson Co. recebeu a linha de crédito. Mais da metade do restante pertence a Paulson e a outros membros da empresa que têm sido isentos de pagarem taxas.

Retenção de talentos

Outros líderes de hedge funds empregaram suas fortunas para apoiar suas empresas e reter os maiores talentos durante depressões, disse Jeff Levi, sócio da Casey Quirk. Levi, cuja empresa com sede em Darien, Connecticut, atua como consultoria de gestão para assessores de fundos, disse que estava falando em geral, sem conhecimento sobre os planos de Paulson.

Paulson pulou para a fama e obteve um lucro de US$ 15 bilhões há nove anos, quando o mercado de hipotecas "subprime" entrou em colapso e desencadeou a crise financeira global. Os ativos líquidos sob gestão da empresa atingiram um pico de US$ 38 bilhões no começo de 2011, antes de os clientes começarem a se retirar por causa de perdas.

Paulson tem uma fortuna líquida estimada em US$ 9,2 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index, mas a maior parte está atrelada aos seus fundos. Ele obteve a linha de crédito comprometendo suas participações na Paulson Partners Enhanced, na Paulson Advantage II, na Paulson Advantage Plus II e na Paulson Credit Opportunities IV.

Os retornos dos investimentos de Paulson têm sido voláteis nos últimos anos, o que deprimiu as taxas por desempenho que podem ajudar a financiar bonificações para funcionários. A empresa passou pelo segundo pior desempenho de sua história em 2014, com um declínio de 36 por cento na Paulson Advantage, uma estratégia ligada a acontecimentos corporativos como falências e separações.

 

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