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Empresas de petróleo usam estratégia que as deixam expostas à queda no preço

Asjylyn Loder

(Bloomberg) -- O barril de petróleo a US$ 30 está provocando um rombo no seguro que as exploradoras do xisto dos EUA adquiriram para se protegerem contra um colapso.

Empresas como Marathon Oil, Noble Energy, Callon Petroleum, Pioneer Natural Resources, Rex Energy e Bonanza Creek Energy usaram uma estratégia conhecida pelo termo em inglês "three-way collar", que não garante um preço mínimo se o petróleo cai abaixo de um certo nível, mostram os registros corporativos.

Embora essa estratégia possa ser mais barata que outros fundos de proteção, ela deixa as empresas de exploração expostas a declínios agudos.

"Na época em que as pessoas fizeram proteção elas não pensavam que o petróleo fosse chegar a US$ 28", disse Thomas Finlon, diretor da Energy Analytics Group em Júpiter, Flórida. "Elas não tinham uma visão realista sobre se o mercado cairia ou não".

As proteções de três vias podem piorar a escassez de caixa das empresas que tentam sobreviver ao pior colapso do petróleo em 30 anos. O seguro é ainda mais importante depois de o petróleo cair 43% nos últimos 12 meses, para US$ 26 o barril em janeiro, piorando a pressão sobre as produtoras sobrecarregadas por dívidas.

"Em 2015 todas receberam carta branca e tinham pouca proteção dos hedges", disse Irene Haas, analista da Wunderlich Securities. "Mas à medida que avançamos em 2016 os hedges já não são precificados de forma tão atrativa e os hedges não necessariamente te salvarão".

Explosão do xisto

A explosão do xisto dos EUA se baseou nos altos preços do petróleo e no baixo custo do financiamento, que permitiram que as empresas de exploração gastassem mais do que ganhavam e compensassem a diferença com dívidas.

Com o petróleo no nível mais baixo em 12 anos, o financiamento é muito mais difícil de chegar. A fixação de um preço mínimo para o petróleo tranquiliza os investidores e os credores de que as empresas terão dinheiro para pagar suas dívidas.

Joseph Gatto, Jr., diretor financeiro da Callon, disse a investidores em uma conferência, em dezembro, que a empresa havia feito hedge de cerca de 4.000 barris por dia em 2016, ou 40% de sua produção projetada, a um preço de US$ 56 por barril.

Cerca de metade desses contratos vale significativamente menos a US$ 30 por barril porque a Callon empregou "three-ways", mostram registros da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês).

Embora a empresa tenha garantido US$ 58,23 para 364 mil barris no primeiro semestre de 2016, ou cerca de 2.000 barris por dia, os 364 mil restantes perderam valor porque a estratégia sacrifica a proteção quando os preços caem para menos de US$ 40.

Três partes

O negócio tem três partes. Primeiro, uma opção deu um teto ao melhor preço que a Callon poderia receber, de US$ 65 o barril.

A venda do direito ao lucro em caso de subida dos preços compensa o custo de proteção contra um declínio.

A segunda parte estabeleceu um piso de US$ 55, um mínimo garantido que a Callon receberia mesmo que o petróleo caísse para abaixo desse ponto.

Por si só, esse tipo de negociação, chamada de collar (coleira), teria assegurado que a Callon recebesse US$ 25 em proteção por barril com o petróleo sendo negociado a US$ 30.

Contudo, a Callon adicionou um terceiro elemento ao negociar uma opção de venda (put), um contrapiso, a US$ 40 o barril.

Abaixo desse ponto, a Callon, em essência, perde sua proteção. Em vez de embolsar US$ 55, a empresa tem direito apenas à diferença entre o piso e esse contrapiso, ou US$ 15 por barril nesse caso.

A US$ 30, a Callon receberá US$ 45 por barril, US$ 10 a menos por barril do que teria recebido com uma coleira tradicional.

Se os preços sobem acima do contrapiso, qualquer desvantagem em relação aos três elementos desaparece.

"Nosso programa de hedge faz parte dos nossos esforços mais amplos de gerenciamento de risco e foi desenvolvido para fornecer uma proteção contra queda em um ambiente de declínio do preço das commodities", disse Eric Williams, porta-voz da Callon.

O preço dos futuros do petróleo até 2016 está em cerca de US$ 35, segundo o qual o modelo "three-way" da Callon renderia US$ 50 por barril, disse ele.

 

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