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Atuação do BC vai evitar queda do dólar? Analistas acham que não

Josué Leonel e Patricia Lara

21/03/2016 14h59Atualizada em 21/03/2016 16h44

(Bloomberg) -- A intervenção feita pelo Banco Central hoje teve um efeito imediato pífio sobre as cotações. O dólar chegou a subir mais cedo, mas depois perdeu força. A maioria dos analistas considera que os leilões do BC não têm força para se contrapor ao cenário político. Se a crise for superada, o interesse dos investidores pelo Brasil deve aumentar, gerando mais entrada de dólares e fortalecendo o real.

Assim como os leilões do BC não impediram o dólar de subir nos últimos anos nem de superar R$ 4,20 no pior momento da crise, eles não vão impedir a queda agora, diz John Welch, estrategista do Canadian Imperial Bank of Commerce. Para ele, o impeachment é "muito mais importante" para o comportamento do câmbio do que a intervenção do BC.

"A apreciação [valorização] do real reflete a avaliação do mercado que pressupõe mudança de governo", diz Newton Rosa, economista da Sul América Investimentos. Para o economista, contudo, as incertezas ainda não foram eliminadas. "Mesmo com a eventual alteração política, o desfecho não é muito claro".

Após reduzir de 9.600 para 3.600 o volume para rolagem de swaps cambiais, o BC anunciou na sexta-feira a retomada de leilões de swap reverso depois de 3 anos. No leilão de hoje, o BC colocou 5.500 dos 20 mil contratos ofertados.

"O viés do dólar passou a ser de baixa", diz Alfredo Barbutti, economista da corretora BGC Liquidez. Para o economista, o BC ganhou uma "janela de oportunidade" para reduzir sua exposição em swaps. Segundo Barbutti, a queda recente do dólar também se deve à redução do déficit em conta corrente. O novo patamar de equilíbrio do câmbio deve ser "bem menor" do que R$ 4, diz o economista.

O BC acumulou um estoque de US$ 108 bilhões em swaps vendidos desde 2013, quando o dólar começou a acelerar a alta após o então presidente do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), Ben Bernanke, sinalizar que iria começar a reduzir os estímulos à economia americana.

A partir de 2014, a alta teve novo impulso com a reeleição da presidente Dilma Rousseff e a deterioração da economia brasileira, que perdeu o grau de investimento no ano passado.

Maurício Auger, superintendente-executivo de câmbio do banco Santander, considera que o leilão de swaps reverso traz mais equilíbrio ao mercado, que passou recentemente a contar com um fluxo positivo, com mais entradas originadas de exportadores e para investimento direto. "Há mais interesse do cliente por reais".

Auger observa que a balança comercial brasileira está reagindo e, no exterior, as expectativas ficaram mais brandas em relação aos juros americanos e à economia chinesa, que vinham preocupando os investidores. "O mercado teve uma melhora. Pode ser apenas de curto prazo, mas é uma melhora".

 

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