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Pesquisas do 'Brexit' estão erradas. Algumas mais do que outras

Robert Hutton

30/03/2016 12h07

(Bloomberg) -- No que diz respeito ao resultado do referendo sobre a permanência britânica na União Europeia, as pesquisas por telefone que mostram o lado da "Permanência" na liderança provavelmente são mais corretas, apesar de suas falhas, segundo um estudo.

Faltam dados importantes nas pesquisas on-line que sugerem que o resultado do referendo é imprevisível e naquelas realizadas por telefone, mas as pesquisas feitas pela internet têm uma margem maior de imprecisão, segundo Matt Singh, coautor do relatório divulgado na terça-feira, que previu corretamente o resultado da eleição geral do ano passado em seu blog Number Cruncher Politics.

Segundo Singh, o "ponto cego" é não pesar os resultados em consonância com as atitudes sociais dos entrevistados. Hoje, as empresas normalmente analisam suas amostras por idade, gênero e pela forma como as pessoas votaram no passado.

"As amostras on-line atingiram pessoas muito conservadoras socialmente e as pesquisas por telefone atingiram pessoas muito liberais socialmente", disse Singh em entrevista. "No referendo, o quadro real está mais perto das pesquisas por telefone, mas ambas estão erradas".

A votação de 23 de junho para o chamado Brexit é uma preocupação para os institutos de pesquisas do Reino Unido, que foram humilhados por não terem previsto o resultado da eleição. Como métodos de pesquisa diferentes rendem resultados diferentes de acordo com a atitude do público em relação à UE, eles enfrentam a perspectiva de um segundo desastre.

Em 2015, com diferentes equívocos de diferentes métodos de pesquisa, todos erraram na mesma direção. No referendo da UE, o efeito de seus erros está empurrando os institutos em direções diferentes.

Amostras distorcidas

Antes da eleição, "as pesquisas por telefone atingiam muitos eleitores do Partido Trabalhista, mas os eleitores do Partido Trabalhista atingidos eram socialmente liberais", disse Singh. Isso significa que eles ignoraram a ida de eleitores do Partido Trabalhista para o Partido de Independência do Reino Unido (UKIP, na sigla em inglês), contrário à imigração. As pesquisas on-line, enquanto isso, ignoraram os eleitores socialmente liberais do Partido Conservador, superestimando assim o fluxo de conservadores para o UKIP. Ambas acabaram superestimando o apoio do Partido Trabalhista e subestimando os votos do Partido Conservador.

Trabalhando com pesquisas da Populus, Singh e o coautor James Kanagasooriam, chefe de análises da empresa, estimam que as pesquisas on-line se inclinam muito em direção ao voto do lado de "Saída", em cerca 3 pontos percentuais , por causa do viés de sua amostra. As pesquisas por telefone superestimam o apoio do lado de "Permanência" em cerca de 5 pontos percentuais, mas um segundo fator corrige esse erro: as pesquisas por telefone desencorajam as pessoas a escolherem "não sei".

Nas pesquisas on-line, as pessoas têm mais facilidade para dizer que não decidiram como votarão do que nas pesquisas por telefone. Pressionados, esses eleitores cedem para o lado do status quo. Esse efeito adiciona outros 5 pontos percentuais ao voto pela "Saída" nas pesquisas on-line, que não se veem refletidos no eleitorado como um todo, segundo o estudo.

As últimas três pesquisas por telefone mostraram a campanha pela "Permanência" na liderança, com seis a 11 pontos percentuais à frente.

O relatório da pesquisa oficial a respeito do que deu errado nas pesquisas de opinião do ano passado será divulgado na quinta-feira. Seus resultados parciais, publicados em janeiro, apontaram que os institutos vinham conversando com os eleitores errados.

Título em inglês: All 'Brexit' Polls Are Wrong But Some Are More Wrong Than Others

Para entrar em contato com o repórter: Robert Hutton em Londres, rhutton1@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

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