Piores bonds soberanos UE podem precisar mais que ação do BCE

Lucy Meakin e Lukanyo Mnyanda

(Bloomberg) -- A situação vai de mal a pior para os investidores em títulos portugueses.

Na zona do euro, as dívidas soberanas registraram os maiores retornos trimestrais desde que o Banco Central Europeu iniciou seu programa de flexibilização quantitativa, há um ano.

Mas os títulos portugueses, enquanto isso, coletaram prejuízos. As disputas políticas para formar um governo e depois para alterar a política orçamentária vêm prejudicando o mercado mais do que na Espanha, que ainda está sem um governo eleito, ou até mesmo a Grécia, país que é sinônimo de crise.

Os títulos portugueses perderam 1,3% no período de três meses até 31 de março, contra um ganho médio de 3,3% na zona do euro, segundo os índices Bloomberg World Bond. A Grécia conseguiu coletar um retorno de 0,4%.

"A situação dos títulos portugueses foi comprometida pelo resultado da eleição e pela instabilidade que veio depois dela", disse Gianluca Ziglio, estrategista da Sunrise Brokers em Londres. "Isso cria uma incerteza quanto ao potencial impacto sobre a classificação".

Embora os títulos de Portugal também tenham se beneficiado com a expansão do BCE ao seu programa de aquisição de ativos, em 20 bilhões de euros (US$ 23 bilhões) por mês a partir de abril, eles têm tido um ano atribulado porque os investidores evitaram os ativos que consideraram de maior risco.

Classificação especulativa

A questão é que as perspectivas para Portugal simplesmente parecem mais sombrias se comparadas com as da vizinha Espanha, mesmo desconsiderando suas respectivas batalhas políticas. A projeção é que a economia de Portugal crescerá 1,5% neste ano, contra 2,7% na Espanha e 4,7% na Irlanda.

Outro país que teve que recorrer a um resgate no auge da crise da dívida soberana, a Irlanda vendeu na semana passada um título que vencerá em um século a 2,35%. Portugal precisa pagar cerca de 3% para tomar empréstimos por apenas por uma década.

Portugal está classificado abaixo do grau de investimento, no território de grau especulativo, por Fitch, Moody's e Standard & Poor's. Apenas a classificação da DBRS, que deverá reavaliar sua posição em 29 de abril, dá ao país credibilidade suficiente para se qualificar para as aquisições sob o programa de flexibilização quantitativa do BCE.

"Ainda estamos mais cautelosos no tocante à Espanha ou Portugal", disse Daniel Lenz, estrategista-chefe de mercado do DZ Bank em Frankfurt, que prefere títulos da Itália devido à relativa estabilidade política do país. "A alta na periferia, como um todo, está sendo perdida por Portugal, especialmente nos últimos dias".

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