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Análise: Bancos de investimento têm 1º trimestre desolador

Duncan Mavin

(Bloomberg) -- Decepcionante. Desolador. Terrível. Independentemente da palavra que você escolher, o primeiro trimestre foi terrível para os bancos de investimento.

Os bancos norte-americanos serão os primeiros a detalhar os prejuízos na semana que vem, mas é provável que os danos tenham sido especialmente duros para o trio de empresas europeias -- Deutsche Bank, Credit Suisse e Barclays -- com processos de reestruturação em andamento sob o comando de novos CEOs.

O período de janeiro a março normalmente é a temporada mais forte do setor, com os clientes dispostos a fazer negócios no início do ano. Não foi assim desta vez. Poucos clientes foram corajosos o suficiente para fechar grandes acordos diante de um cenário de mercados financeiros voláteis -- era como tentar atracar dois navios em meio a um furacão, dizem os banqueiros.

O valor das vendas de ações anunciadas caiu aproximadamente pela metade no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Bloomberg. A emissão de bonds teve um declínio de 7,6 por cento, com as ofertas de yields altos dos EUA despencando 54 por cento. Houve uma queda de 82 por cento no fechamento de fusões.

No ramo do trading as receitas com renda fixa e câmbio estão em queda desde a crise financeira e não compensarão o abatimento. Analistas da Bernstein estimam que elas caíram em mais da metade desde 2009. É provável que a volatilidade do mercado em fevereiro também tenha prejudicado os lucros provenientes das ações: a média de negociações diárias de ações caiu 5,3 por cento globalmente no trimestre.

No total, a receita trimestral dos bancos de investimentos poderá cair cerca de 25 por cento em relação ao mesmo período do ano passado, segundo analistas do Goldman Sachs.

Os investidores foram prevenidos. O Barclays informou várias vezes que os resultados do primeiro trimestre ficarão abaixo dos do ano passado. O JPMorgan alertou que a receita de investment banking cairá cerca de 25 por cento. Outros bancos apresentaram projeções igualmente severas e os analistas acompanharam reduzindo suas classificações. As estimativas de lucro do Deutsche Bank no ano cheio encolheram 40 por cento desde o início deste ano.

Com isso, os novos CEOs do Barclays, do Credit Suisse e do Deutsche Bank estão tentando corrigir o rumo de seus bancos no pior momento possível.

Com a queda rápida da receita há mais pressão por cortes de custos e redução de ativos. Mas, ao fazer isso eles correm o risco de perder mais receitas. Pior ainda: os resultados decepcionantes prejudicarão a capacidade dos bancos de mostrar um avanço significativo rumo a retornos mais sustentáveis no longo prazo.

Prepare-se para ver os três CEOs fazendo todo o possível para desviar a atenção dos investidores de seus números trimestrais. Cada um deles provavelmente se agarrará a qualquer notícia positiva sobre, por exemplo, vendas de ativos ou reduções nos custos. (O Barclays informou na quinta-feira que havia fechado um acordo de venda de sua unidade asiática de gestão de riqueza).

Até esta altura do ano, contudo, os investidores derrubaram as avaliações das ações desses bancos para os menores valores em muitos anos. Para recuperá-las será preciso que os CEOs façam algo além do gerenciamento de expectativas e da terapia da distração.

Esta coluna não reflete necessariamente a opinião da Bloomberg LP ou de seus proprietários.

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