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Misterioso rei do investimento na China revela seus segredos

Fox Hu

(Bloomberg) -- Nos círculos financeiros da China, é chamado de Rei - um gigante investindo em empresas estatais com poder inigualável para movimentar o segundo maior mercado do mundo.

Suas táticas, envoltas em mistério desde que autoridades montaram a agência com mais de US$ 480 bilhões no último verão, foram objeto de forte especulação entre os investidores. Agora, graças à divulgação obrigatória de acionistas em centenas de relatórios anuais das empresas chinesas, está ficando mais clara a imagem da China Securities Finance - o nome oficial do Rei.

Os arquivos sugerem que o apelido da CSF é mais do que apenas moda. A agência está entre as 10 maiores acionistas em mais de 600 empresas, incluindo a quase totalidade dos maiores nomes da China. Favorece bancos, empresas estatais e empresas de consumo que dominam os índices de referência, enquanto evita ações de empresas pequenas com menos impacto no mercado. É um investidor disciplinado, também, dirigido a empresas com rentabilidade acima da média e limitando suas participações em qualquer empresa a cerca de 3 por cento das ações em circulação.

"Isso pode deixar um pouco mais claro qual é a estratégia do governo", disse Pauline Dan, diretora de participações na Grande China da Pictet Asset Management, em Hong Kong, que administra cerca de US$ 159 bilhões no mundo todo. "Não gostam muito de divulgar o que vão fazer".

Crescimento do mercado

Com o poder de fogo da CSF, saber quais ações ela prefere tornou-se um grande foco dos investidores locais que procuram um vento de cauda nas compras do Estado. Traders pessimistas, enquanto isso, estão tentando evitar apostar contra a agência, que se tornou a principal ferramenta do governo para apoiar os preços das ações após a queda do mercado de US$ 5 trilhões no verão passado. O índice Shanghai Composite subiu 16% o do ponto mais baixo em um ano, em janeiro, ajudado por compras do Estado e a especulação de que o crescimento econômico está se estabilizando. Subiu 0,5% no fechamento de quinta-feira.

Sem surpresa, as maiores participações da CSF estão nas empresas financeiras, cujo peso nos índices de referência faz com que sejam os principais candidatos para as campanhas do governo de sustentar o mercado de US$ 6 trilhões. Credores, incluindo Industrial & Comercial Bank of China e Agricultural Bank of China englobaram oito das 10 maiores posições da CSF no final de dezembro, de acordo com dados compilados de cerca de 1.500 relatórios anuais divulgados por empresas chinesas até agora.

Silêncio estratégico

Mais de 80% das 100 maiores participações da CSF são empresas estatais, incluindo CRRC, fabricante de trens de alta velocidade. A agência também está se voltando para as empresas orientadas ao consumidor, que representaram quase metade dos seus 29 aumentos em participações divulgados durante o quarto trimestre. A CSF detinha 2,6% da Kweichow Moutai, que destila licores fortes, no final de dezembro e 3,1% da Inner Mongolia Yili Industrial Group, uma das maiores produtoras de leite do país.

Enquanto a CSF permaneceu em silêncio sobre a sua estratégia, seus gestores parecem se preocupar com o desempenho financeiro de seus investimentos. As 100 melhores participações da agência, que representam mais de 70% do valor da carteira divulgada, têm uma rentabilidade média sobre o patrimônio de 15%, o dobro do mercado global.

Limite de ativos

Investir nas ações favoritas da CSF nem sempre compensa. Os bancos chineses, por exemplo, ganharam apenas 0,7% em média nos últimos três meses, ficando abaixo do Shanghai Composite em mais de 3 pontos percentuais. O ChiNext, por sua vez, saltou 11%, apesar das evidências de que a CSF está fora das pequenas empresas.

Para muitos analistas, a CSF é grande demais para ser ignorada. Apesar de a agência não revelar detalhes financeiros, pessoas familiarizadas com o assunto disseram em julho que tinha acesso a até 3 trilhões de yuans em financiamento. A CSF procurou mais 2 trilhões de yuans em agosto, pessoas com conhecimento do assunto disseram na época.

Os arquivos "poderiam dar dicas sobre quais ações poderão ser alvo deles no futuro", disse Sandy Mehta, CEO de Value Investment Principals com sede em Hong Kong. "É uma obrigação para os investidores profissionais conhecerem a estrutura da sociedade".

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