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Argentina diz que demanda por títulos do país é grande

Carolina Millan, Katia Porzecanski e David Biller

(Bloomberg) -- A demanda pela primeira venda de dívida global pela Argentina em 15 anos está "impressionante", segundo o ministro da Fazenda, Alfonso Prat-Gay.

"Se não ligou ainda, ligue para seu corretor porque a demanda é impressionante", ele afirmou em Washington, onde foi palestrante de um evento na Universidade Georgetown que ocorre junto com os encontros do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial na cidade. "Claro que estou promovendo o que é meu, mas de certa forma não, porque é realmente inacreditável."

Autoridades argentinas estão se reunindo com investidores nesta semana em Londres, Nova York, Boston, Los Angeles e Washington, promovendo uma colocação que, segundo Prat-Gay, será limitada a US$ 15 bilhões. O país recebeu decisão favorável na quarta-feira de um tribunal de recursos dos EUA, permitindo a retomada dos pagamentos da dívida externa e acesso aos mercados internacionais de dívida pela primeira vez desde a moratória de US$ 95 bilhões em 2001. O ministro disse na última quarta-feira que a Argentina pretende aceitar ofertas a partir da próxima segunda-feira, vender os títulos na terça e pagar até o fim da semana que vem os credores que não participaram de acordos de reestruturação anteriores, os chamados holdouts, liderados pelo fundo de hedge Elliott Management.

Desde que assumiu o cargo em dezembro, o Presidente Mauricio Macri reverteu muitas das políticas de sua predecessora, em um esforço para renovar a segunda maior economia da América do Sul - e sua reputação junto aos investidores estrangeiros - ao retirar controles de capital, eliminar a maioria das tarifas de exportação e reestruturar o instituto nacional de estatísticas. Agora, as prioridades do governo são combater a inflação e reativar o crescimento econômico, afirmou Prat-Gay. O plano é levar o crescimento a 4 por cento e a inflação para menos de 17 por cento no ano que vem, ele disse. O governo também pretende eliminar o déficit fiscal até o fim do mandato de Macri, de acordo com Prat-Gay.

"Temos de alcançar o equilíbrio certo e levar em conta as muitas restrições políticas e sociais que temos", ele disse. "Queremos ser muito realistas sobre o que pode ser feito e, portanto, o que será feito."

A Argentina planeja realizar uma conferência sobre oportunidades de investimento em agosto e organizar roadshows em três partes do mundo, informou Prat-Gay durante evento organizado pelo Conselho do Atlântico na quinta-feira.

O país também busca se proteger contra futuros credores holdouts, explorando a possibilidade de instituir regras que limitem a capacidade de litígio em torno de títulos que os investidores não tinham em mãos durante ou antes de um calote, ele disse no Conselho do Atlântico.

O comentário é uma reprodução da chamada Defesa Champerty, originalmente uma doutrina do direito histórico da Inglaterra que proíbe a compra de um direito com a intenção de mover um processo judicial. Em 1998, em uma disputa entre o fundo Elliott e o Peru, um tribunal de recursos dos EUA concluiu que, se a intenção do fundo de hedge ao comprar os títulos peruanos era receber o pagamento total ou senão entrar em litígio, os direitos continuavam válidos. A vitória do Elliott na disputa salvou a atividade de especulação com títulos que foram alvo de calote, de acordo com um estudo do advogado da Argentina na Cleary Gottlieb Stein & Hamilton LLP.

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