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FMI vê transição difícil da China para economia de consumo

Jillian Ward

(Bloomberg) -- A transformação da China em uma economia mais impulsionada pelo consumo poderá ser uma experiência "difícil", segundo o primeiro-vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, David Lipton.

"A transição da China, o reequilíbrio e o distanciamento dos setores de exportação da indústria pesada em direção às rendas familiares crescentes" e ao consumo são "a principal transição que o mundo observará nos próximos anos e provavelmente será difícil", disse Lipton em entrevista à Bloomberg Television na sexta-feira. "É perigoso que eles continuem oferecendo crédito para os velhos setores e permitindo o acúmulo de dívidas".

Apesar de o crescimento da China ter se estabilizado, isso se deve em parte ao aumento do crédito. Dados divulgados pelo Banco Popular da China no início do dia mostraram que o financiamento agregado totalizou 2,34 trilhões de yuans (US$ 361 bilhões) em março. A farra do crédito poderá criar mais desafios no futuro, a menos que o governo do presidente Xi Jinping cumpra suas metas de reestruturar as inchadas empresas estatais e limpar um setor bancário sobrecarregado pela inadimplência.

Fiscal e monetária

Lipton, na entrevista concedida em Washington, defendeu uma maior ação e a coordenação de políticas fiscais e estruturais, juntamente com as políticas monetárias, para impulsionar o crescimento global.

"Quando a política monetária suporta a economia, ela simplesmente cria espaço para que as autoridades não realizem as reformas estruturais importantes que precisam fazer", disse Lipton na entrevista a Tom Keene e Francine Lacqua. "O problema é que a política monetária tem suportado muito peso e, embora o uso de política monetária tenha respaldado e apoiado às grandes economias, isso realmente não é suficiente para fazer a economia avançar novamente".

Os bancos centrais estão reagindo ao crescimento lento ao redor do mundo. O Banco Central Europeu aumentou os estímulos no mês passado, o Federal Reserve fechou consenso para uma estratégia gradual para sua política de aperto e o Banco da Inglaterra provavelmente adiará qualquer medida para depois do referendo do Reino Unido sobre a adesão à União Europeia. O FMI reduziu sua projeção para a expansão mundial no início da semana.

"Não estamos soando os alarmes, mas achamos que deve haver algum alerta às crescentes pressões financeiras e às vulnerabilidades, especialmente no setor corporativo em países que viram os preços do petróleo e os preços das commodities caírem, nos quais as expansões do crédito se tornaram avançadas", disse Lipton. "Certamente, com as políticas monetárias que vemos, faz sentido observar a oscilação dos riscos no sistema financeiro".

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