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Rio Tinto vê queda do preço do minério de ferro após alta de 55%

Agnieszka de Sousa e Jesse Riseborough

(Bloomberg) -- A alta do minério de ferro após uma baixa recorde não é sustentável porque a produção está prestes a aumentar, segundo a Rio Tinto, segunda maior exportadora da commodity.

Os preços poderão cair no segundo semestre porque a nova oferta compensará a melhora da demanda da China, disse o CEO Sam Walsh. "Eu disse o tempo todo que nós estimamos que os preços do minério de ferro serão voláteis. É o que estamos vendo", disse Walsh a repórteres após a reunião anual de acionistas da empresa, em Londres.

O minério de ferro subiu 55 por cento em relação à baixa de dezembro em meio aos sinais de recuperação da demanda nas siderúrgicas da China e em um momento em que as autoridades do país asiático sinalizam apoio ao crescimento. As principais mineradoras, incluindo a Rio e a BHP Billiton, viram os lucros caírem no ano passado quando o minério de ferro despencou sob a pressão do excesso de oferta. Na reunião da Rio, o presidente do conselho da empresa, Jan du Plessis, negou as acusações, citadas por um acionista, de que a empresa está conspirando com a BHP para forçar a saída das produtoras de alto custo.

Comparar a Rio Tinto à Arábia Saudita, que estaria usando uma estratégia similar para eliminar concorrentes dos EUA nos mercados de petróleo, é algo "absolutamente sem sentido", disse du Plessis na quinta-feira. "Não desejamos expulsar ninguém do mercado. Não estamos inundando o mercado. Não estamos tentando ser a Arábia Saudita, de jeito nenhum".

A Rio, que deverá divulgar os resultados do primeiro trimestre na terça-feira, projeta uma produção de minério de ferro em 2016 de 350 milhões de toneladas, um volume que poderá fazer a mineradora tirar o posto de maior fornecedora mundial da Vale, que tem sede no Rio de Janeiro. O governo australiano projetou na semana passada que as exportações do país subirão 10 por cento neste ano, para 846 milhões de toneladas.

O minério com 62 por cento de conteúdo entregue em Qingdao estava em US$ 59,38 a tonelada na quinta-feira, 36 por cento mais alto neste ano, segundo a Metal Bulletin. Os preços caíram para US$ 38,30 em 11 de dezembro, nível mais baixo registrado nos dados diários desde 2009, antes de subirem 23 por cento no primeiro trimestre. O avanço incluiu um salto recorde para um único dia, de 19 por cento, em 7 de março.

Dados da China divulgados nesta sexta-feira mostraram que o produto interno bruto subiu 6,7 por cento no primeiro trimestre, igualando a mediana das projeções dos economistas. Contudo, embora a produção de aço bruto tenha aumentado 2,9 por cento em março em relação ao ano passado, para um recorde de 70,65 milhões de toneladas, a produção nos três primeiros meses do ano foi mais baixa do que no mesmo período de 2015.

O ceticismo de Walsh em relação à continuidade dos ganhos do minério de ferro é compartilhada por alguns analistas. A RBC Capital Markets disse em 12 de abril que o excesso de oferta global continuaria pressionando os preços, enquanto a produção menor de aço na China prejudica a demanda. A Capital Economics disse que prevê um grande excedente neste ano.

A demanda na China neste ano pode ter sido "carregada no início e diminuirá", escreveram analistas da Liberum Capital em uma nota, em 13 de abril, projetando que os preços cairão para menos de US$ 40 antes do segundo semestre. O minério de ferro poderá recuar para US$ 44 no quarto trimestre, segundo a mediana de 10 projeções compilada pela Bloomberg.

A alta surpresa do minério de ferro beneficiou as ações das mineradoras. Embora a Rio tenha encerrado nesta sexta em baixa de 0,8 por cento, a 48,20 dólares australianos em Sidney, a ação está 11 por cento mais alta nesta semana. A BHP avançou 19 por cento ao longo da semana e a Fortescue Metals subiu 14 por cento, mesmo após ceder 4,7 por cento nesta sexta-feira.

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