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Mercado de aço chinês se recupera com ajuda da construção

Bloomberg News

(Bloomberg) -- A inesperada recuperação do mercado do aço da China neste ano continuará porque por enquanto a produção recorde das siderúrgicas não conseguiu reabastecer os estoques, e o governo está aumentando o estímulo para impulsionar o crescimento.

Os estoques de barras de reforço de aço, empregados na construção, caíram pela sexta semana consecutiva e tiveram contração de 6,8 por cento no período até 15 de abril, a maior queda desde outubro de 2014, segundo a Shanghai Steelhome Information Technology. Os futuros dos vergalhões em Xangai tiveram um rali e atingiram o valor mais alto em um ano nesta terça-feira. Eles acumulam uma alta de 39 por cento em 2016. Os preços à vista subiram 46 por cento.

O rali em 2016 ocorre depois de cinco anos consecutivos de declínios e foi um alívio para o maior setor de aço do mundo, que vem lidando com um excesso de capacidade, com prejuízos e com projeções de uma queda da demanda do país no longo prazo. Em março as siderúrgicas chinesas produziram mais metal do que em qualquer outro mês com a estabilização da economia. Uma disparada de créditos novos incentivou uma recuperação do setor de propriedades. O rali inesperado no maior produtor de aço do mundo também ajudou a elevar os preços globais do minério de ferro.

"Agora as siderúrgicas estão com suas carteiras de encomendas cheias até julho ou mais", disse Li Qibao, analista da Changjiang Futures em Wuhan, que prevê que os preços continuarão aumentando. Existem "sinais inconfundíveis de uma recuperação na demanda, com a ajuda de um boom da construção', disse Li.

Sem precedente

Nunca antes os estoques de aço tinham estado em um patamar tão baixo nesta época do ano, disse Gao Huaming, diretor da Banksteel.com para o norte da China. Os estoques de vergalhões monitorados pela Shanghai Steelhome totalizavam 4,675 milhões de toneladas no dia 15 de abril. O número se compara com 6,84 milhões de toneladas um ano atrás e 8,04 milhões de toneladas na mesma semana de 2014.

Produtores e traders, prevendo mais perdas neste ano, não realizaram a típica acumulação sazonal de estoque no primeiro trimestre, resultando em um nível "muito baixo", segundo Li Wenjie, gerente geral da Beijing Shougang Alliance of Xingang Science & Trade.

A demanda por aço do setor de construção foi impulsionada pelo estímulo e alimentada pela flexibilização das condições creditícias, segundo a Fitch Ratings. O financiamento agregado foi de 2,34 trilhões de yuans (US$ 360,7 bilhões) em março, já que a flexibilização se filtrou pelo sistema financeiro. As vendas de imóveis deram um salto de 71 por cento no mês passado em relação ao mesmo período do ano anterior e os investimentos em projetos imobiliários aumentaram 6,2 por cento no primeiro trimestre. Os investimentos em ativos fixos também cresceram.

Bênção

A disparada dos preços do aço vem sendo uma bênção para as ações das siderúrgicas. As ações da Wuhan Iron & Steel tiveram um rali de 33 por cento desde que fecharam a um valor mínimo no começo de fevereiro. As ações da Angang Steel se recuperaram 17 por cento apesar de a empresa ter advertido neste mês que ainda teria prejuízo no primeiro trimestre.

As tentativas da indústria de tirar proveito da recuperação estão sendo dificultadas pela campanha do governo para diminuir o excesso de capacidade e reduzir as emissões em meio a pior desaceleração em 25 anos, segundo Su Feng, gerente geral de vendas da Anyang Iron & Steel. Em janeiro, o governo se comprometeu a diminuir a capacidade em até 150 milhões de toneladas em cinco anos como parte das tentativas de reformar a indústria pesada.

"Com o tempo a produção crescerá até chegar a um patamar que volte a inclinar o mercado para o excesso de oferta", disse Xu Xiangchun, analista chefe da Mysteel Research. "O setor do aço da China continua tendo um grande excesso de capacidade, portanto o excesso voltará".

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