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BCE desafia críticas da Alemanha e defende estímulos

Jeff Black

(Bloomberg) -- Mario Draghi tem duas adversárias teimosas: a inflação baixa e a baixa consideração da Alemanha. Agora, ele está ampliando sua ofensiva em ambas as frentes.

A recuperação do crédito e o fato de a produção se mostrar resiliente aos choques globais dão apoio ao argumento do Banco Central Europeu de que o conjunto de medidas de estímulo que a entidade reforçou no mês passado está funcionando. Na quinta-feira, o presidente do BCE usou essa evidência para enfrentar os críticos alemães, que dizem que ele está no caminho errado.

Após mais de quatro anos no comando do banco central, Draghi ainda lida com ataques persistentes do país-sede do BCE, onde a percepção pública de que ele é um italiano extravagante cujos juros baixos estão matando os fundos previdenciários virou parte do cenário político. Em entrevista coletiva, em Frankfurt, ele esbravejou dizendo que quanto mais os críticos minam seus estímulos, mais estímulos ele terá que oferecer.

"A impaciência nos mercados e na política às vezes pode vir à tona como um gêiser, mas o BCE precisa continuar firme como uma rocha", disse Torsten Slok, economista-chefe internacional do Deutsche Bank em Nova York. "Quanto mais aparecer nos dados, mais fácil será para eles dizer que as políticas estão funcionando. O BCE está se defendendo e assegurando que os argumentos são sólidos".

Angústia alemã

O cenário da reunião de política monetária de quinta-feira, na qual o Conselho Governativo manteve suas taxas de juros inalteradas após reduzi-las a mínima recorde em março, foi colorido por um tumulto criado pelo alemão Wolfgang Schäeuble. Draghi empregou uma série de argumentos contra a acusação do ministro das finanças de que as políticas do BCE estão contribuindo para a ascensão do populismo antieuro e para a suposição mais ampla de que quem economiza está sendo penalizado. Ele acrescentou que Schäeuble "não quis dizer o que disse ou não disse o que queria dizer".

"Na verdade, as taxas reais hoje estão mais elevadas do que há 20, 30 anos", disse Draghi. "Mas sei que explicar as taxas de juros reais para as pessoas que economizam pode ser difícil".

Draghi é perseguido pelas críticas na Alemanha desde que assumiu. A imprensa popular muitas vezes usa sua nacionalidade como sinônimo da tendência a permitir a inflação alta. Na verdade, ele enfrenta o problema oposto: os aumentos de preços estão muito abaixo da meta de 2 por cento há mais de três anos.

Crise da dívida

Isso se deve em parte ao fato de a zona do euro, formada por 19 países, ter sofrido uma crise da dívida que se tornou quase existencial e ter precisado passar por duas recessões em cinco anos antes da atual sequência de crescimento. Deve-se também a algo que está fora do controle do BCE: a queda dos preços do petróleo.

"Somos independentes, por isso continuaremos com o plano de ação de política monetária que consideramos apropriado", disse Draghi na quinta-feira. "Quando a credibilidade do banco central é colocada em dúvida, o resultado é um atraso no cumprimento de seu objetivo e, portanto, a necessidade de mais expansão da política monetária", disse ele, elevando o tom de voz.

A chanceler alemã, Angela Merkel, posteriormente apoiou a independência do BCE, mas disse que o debate político sobre sua estratégia é "legítimo". Draghi também ganhou o apoio da diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, nesta sexta-feira, que disse em Amsterdã que "todos concordamos" que os bancos centrais devem ser independentes.

Essa autonomia sempre existiu no contexto do cumprimento da obrigação legal do BCE, que é a estabilidade de preços. Para Draghi, poder mostrar que o desemprego está em queda e que o déficit de produção está diminuindo -- e eles estão -- pode ser vital para assegurar ao público que as metas de inflação não serão prorrogadas infinitamente.

A projeção do BCE é que a inflação média será de apenas 0,1 por cento neste ano e subirá para 1,6 por cento até 2018 com base nas projeções macroeconômicas mais recentes do BCE, de março. A produção terá uma expansão de 1,4 por cento neste ano e o ritmo aumentará, chegando a um crescimento de 1,8 por cento até 2018.

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