Investidores chineses trocam ações e títulos por commodities

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Os especuladores chineses têm uma nova obsessão: o mercado de commodities.

As negociações de contratos futuros de todos os tipos de materiais, desde barras de aço de reforço e bobinas laminadas a quente até algodão e cloreto de polivinil, aumentaram nesta semana, levando as bolsas de Xangai, Dalian e Zhengzhou a aumentarem as tarifas ou a emitirem alertas aos investidores. Embora os produtos de base sejam qualquer coisa, menos glamorosos, os números são de arregalar os olhos: contratos para mais de 223 milhões de toneladas de vergalhões mudaram de mãos na quinta-feira, mais do que todo um ano de produção chinesa do material usado como reforço para o concreto.

"A grande montanha de dinheiro da China está deixando os bonds e as ações e passando para as commodities", disse Zhang Guoyu, analista da Tebon Securities em Xangai. "Vimos muita gente abrir conta para futuros de commodities recentemente".

Esse frenesi lembra a atividade que impulsionou o mercado de ações da China no ano passado, antes da queda que eliminou US$ 5 trilhões, e surge após bolhas anteriores no setor de propriedades e de comercialização de alho e até de certos tipos de chá. O exército de investidores da China está se concentrando nas matérias-primas em meio aos sinais de aceleração da demanda e em um momento em que as ações do país apresentam a maior queda entre os mercados internacionais e os yields dos títulos corporativos caminham para a elevação mensal mais aguda em mais de um ano.

Ficando malucos

Hao Hong, estrategista-chefe para a China da Bocom International Holdings em Hong Kong, diz que a melhora dos dados básicos e a disponibilidade de alavancagem para apostas em commodities está tornando as matérias-primas irresistíveis para os traders.

"Eles estão ficando malucos", disse Hong. "A alavancagem amplifica o movimento ascendente, e também o descendente -- basicamente o que o financiamento de margem fez com as ações em 2015".

O aumento nos preços do aço não se dá apenas nos mercados de futuros. Os preços do produto físico à vista também estão subindo em meio à repentina escassez causada pela aceleração da atividade de construção. Os preços dos vergalhões subiram em média 57 por cento neste ano na China, segundo a Beijing Antaike Information Development, uma consultoria estatal. Mesmo depois que a produção de aço atingiu o volume mensal mais elevado da história, em março, o estoque de vergalhões ainda está em queda, sinalizando um déficit de oferta.

Custos mais elevados

Para esfriar a atividade, a Bolsa de Futuros de Xangai aumentou as tarifas de transação, enquanto a Bolsa de Commodities de Dalian elevou as exigências de margem para o minério de ferro. A bolsa de Dalian também restringiu as regras aplicadas ao que chamou de comércio anormal, que agora inclui a entrega e retirada frequente de pedidos e o chamado "self-trading". A Bolsa de Commodities de Zhengzhou defendeu prudência no investimento em contratos futuros do algodão em meio às "flutuações de preço relativamente grandes".

"Há muita liquidez e há muitas pessoas procurando oportunidades", disse Ben Kwong, diretor da corretora KGI Asia em Hong Kong. "Os investidores estão simplesmente sendo incentivados pela recuperação recente nos preços das commodities e este é um comportamento especulativo".

Os contratos futuros caíram nesta sexta-feira após a restrição da bolsa. Os contratos dos vergalhões fecharam em 4,8 por cento, a 2.619 yuans a tonelada, seu maior declínio diário em seis semanas. Um indicador de ações de materiais caiu 2,7 por cento na parte continental do país, enquanto o índice de referência Shanghai Composite avançou 0,2 por cento.

As autoridades reprimiram os especuladores que usaram dinheiro emprestado para comprar ações depois que o aumento da dívida piorou a passagem da expansão à contração no segundo maior mercado de ações do mundo. Quando a China estava incentivando os bancos a bombearem crédito para ajudar no crescimento, em 2008 e 2009, os investidores especularam sobre tudo, desde o chá Pu'er até o alho. O dinheiro fácil está crescendo novamente: os novos créditos ultrapassaram o patamar de US$ 1 trilhão no primeiro trimestre.

"O mercado está se movendo muito rapidamente. O dia de ontem parecia o mercado de ações em junho do ano passado, antes do colapso", disse Tiger Shi, sócio-gerente da Bands Financial, por telefone, de Hong Kong. "Para mim, assim como o mercado sobe rapidamente, ele cairá rapidamente".

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