Deutsche Boerse enfrenta oposição na Alemanha por fusão com LSE

John Detrixhe e Angela Cullen

(Bloomberg) -- O plano da Deutsche Boerse de assumir o controle da London Stock Exchange vem enfrentando objeções no país, o que obriga a empresa a encontrar um difícil equilíbrio entre acionistas e cidadãos locais em meio à tentativa de criar uma potência europeia do setor.

A Bolsa alemã está tentando aplacar os temores dos políticos locais e das empresas com sede em Frankfurt. Uma pesquisa diz que as empresas veem negativamente o impacto potencial do acordo sobre a capital financeira do país. Mas na terça-feira o CEO Carsten Kengeter procurou retratar a transação de forma mais positiva, dizendo que a combinação de Frankfurt e Londres criará uma ponte de tecnologia financeira e evitará um êxodo corporativo para o exterior em busca de financiamento.

"Em nenhum lugar na Europa existe tanto capital, tantas finanças e tanto conhecimento sobre tecnologia financeira quanto em Londres", disse Kengeter, em um evento, em Frankfurt.

Obstáculos

Como sugere o ônibus vermelho de dois andares de Londres no relatório anual de 2015 da Deutsche Boerse, a bolsa com sede em Frankfurt está comprometida com seu acordo com a LSE. Mas o descontentamento em seu país intensifica os obstáculos que a fusão poderá enfrentar com órgãos reguladores e com acionistas da LSE. Devido a esta série de preocupações, muitos consideram que há menos de 50 por cento de chance de que o acordo se concretize.

Existe precedente para o fracasso dentro e fora do setor: junto com o cemitério de ofertantes passados da LSE, neste ano viu-se o colapso de outras grandes fusões internacionais. Uma rival, inclusive, está planejando formas de inviabilizar o negócio.

Um dos principais pontos de atrito para os alemães é que a nova empresa combinada teria sede em Londres. Apesar de os acionistas da Deutsche Boerse ficarem com 54,4 por cento da nova empresa, de o alemão Kengeter administrá-la e de o CEO da LSE, Xavier Rolet, ter concordado em sair, a cidade escolhida para a sede é um problema.

"Não temos nada contra o acordo em si, apenas contra o local escolhido como sede", disse Ulrich Caspar, legislador do parlamento estadual de Hesse, em entrevista, no início do mês. Hesse oferece importantes licenciamentos para a atividade da bolsa. "Desta vez, nós também esperamos que essa ideia fracasse", disse ele, ressaltando as duas tentativas anteriores malsucedidas da Deutsche Boerse de comprar sua rival de Londres.

'Positivo'

Nem todos se opõem à aquisição. Em março, o primeiro-ministro David Cameron classificou o plano de manter a sede em Londres como "positivo e muito bem-vindo". E a Frankfurt Main Finance, que representa a comunidade financeira de Frankfurt, classificou o acordo como o pilar da zona do euro.

A fusão beneficiaria o sistema financeiro europeu, diz Ben Kelly, analista da Louis Capital Markets que acompanha o acordo de perto. Mas a oposição é compreensível, diz ele.

"Há uma transição da lenta e velha escola para os novos processos orientados à tecnologia e é possível que algumas pessoas se sintam marginalizadas de muitas formas pelo fato de as bolsas precisarem evoluir e se centralizar para competir de forma global atualmente", disse Kelly, por e-mail.

O panorama do setor dá um toque de urgência à questão. A Deutsche Boerse, quando comparada com as grandes concorrentes americanas e chinesas, está tão atrasada, disse Kengeter, que precisa agir imediatamente.

"Se não ganharmos corpo rapidamente, em algum ponto a empresa estará tão fraca que não poderá mais agir, apenas reagir", disse Kengeter à Manager Magazine, no mês passado. "Do contrário, em breve não conseguiremos mais cumprir nosso dever público de garantir o acesso da economia alemã aos mercados de capitais, muito menos de cumprir nosso dever de criar valor para nossos acionistas".

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