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Nippon Steel e Techint se únem contra nomeação da CSN na Usiminas

R.T. Watson

(Bloomberg) -- As acionistas controladoras da siderúrgica brasileira Usiminas, que passa por dificuldades, finalmente concordaram em algo: ambas querem anular uma decisão que permitiu à rival CSN a nomeação de dois membros para o conselho de administração.

A Nippon Steel & Sumitomo Metal e a Techint, que controlam a Usiminas por meio de um acordo de acionistas, entraram com pedidos de liminar separados nesta semana, segundo documentos judiciais. Se os pedidos forem deferidos, os dois diretores nomeados pela CSN poderão ser proibidos de participar do conselho da Usiminas poucas semanas depois de serem escolhidos.

A Techint e a Nippon estão contestando uma decisão do Cade, de permitir à CSN a nomeação de membros independentes do conselho na qualidade de acionista minoritária. A Usiminas tem uma reunião do conselho programada para 12 de maio na qual os diretores poderão discutir possíveis mudanças de gestão.

Uma unidade da Nippon entrou com pedido de liminar na Justiça Estadual de Minas Gerais, enquanto a Ternium Investments, pertencente à Techint, apresentou seu pedido em um tribunal federal de Brasília. Nenhuma das empresas comentou os pedidos judiciais. A Usiminas também entrou com pedido na terça-feira, em um tribunal federal, para anular a decisão do Cade.

A questão está unindo as duas sócias-controladoras após anos de disputas relacionadas à forma de administrar a Usiminas. A última batalha teve como motivo a estratégia para lidar com os prejuízos crescentes e com a evaporação das reservas em dinheiro em meio a um excesso mundial de aço, situação exacerbada pela pior recessão do Brasil em um século.

Aumento de capital

Em março, os acionistas da Usiminas aprovaram um aumento de capital de R$ 1 bilhão (US$ 288 milhões), exigência feita pelos bancos credores para conceder à empresa uma suspensão de 120 dias no cumprimento de obrigações. A CSN entrou com uma série de ações judiciais contra a Usiminas, uma delas com o objetivo de inviabilizar o aumento de capital planejado.

A CSN alega também que a Usiminas pagou um excedente de R$ 20 bilhões em contratos com empresas com laços com a Nippon.

"Eu acho que as decisões do Cade são estranhas", disse Rafael Ohmachi, analista da Guide Investimentos, por telefone. "Em um determinado momento ele revoga os direitos da CSN, depois volta atrás e devolve os direitos. O Cade não tem sido consistente".

A CSN disse que não tem influência no conselho e sustenta que os dois membros são independentes. A Techint-Ternium questiona essa afirmação, pontuando que um dos dois diretores já realizou trabalhos de consultoria para a CSN.

Paulo Caffarelli, diretor financeiro da CSN, disse em entrevista no mês passado, que sua empresa não é concorrente da Usiminas e que as duas siderúrgicas deveriam trabalhar juntas para enfrentar as importações chinesas baratas e a queda da demanda.

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