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Firmas sul-africanas acumulam caixa e nem queda do rand ajuda

Mike Cohen, Liezel Hill e Kevin Crowley

(Bloomberg) -- As empresas sul-africanas estão sentadas em cima de muito dinheiro. O triste é que não estão dispostas a gastá-lo internamente.

Desanimadas com a estagnação da economia, apagões, preços baixos das commodities e crescimento mais lento em mercados de exportação como China e Europa, as companhias locais estão acumulando caixa ou se expandindo no exterior. Atrasos na aprovação de leis empresariais e a disputa entre o presidente Jacob Zuma e o ministro da Fazenda, Pravin Gordhan, aumentam esse desconforto.

"A África do Sul corporativa continuou erguendo negócios internacionais e não necessariamente erguendo negócios industriais competitivos dentro de casa", disse Hendrik du Toit, CEO da Investec Asset Management, que supervisiona aproximadamente US$ 109 bilhões. "Com a moeda desvalorizada, o foco deveria ser interno. É um problema de confiança de longo prazo."

O ceticismo não cedeu nem com a desvalorização do rand, que torna as exportações sul-africanas mais baratas - o que deveria incentivar a expansão de capacidade produtiva. A moeda acumula queda de 56 por cento em relação ao dólar nos últimos cinco anos, o pior desempenho entre as 16 taxas de câmbio de peso monitoradas pela Bloomberg.
A depreciação teve pouco impacto sobre a produção. O crescimento econômico anual médio desde 2011 é de 2,1 por cento. Na quarta-feira, o banco central divulgou uma projeção de crescimento de 0,6 por cento neste ano. Um índice de confiança dos empresários calculado pela Câmara de Comércio e Indústria da África do Sul caiu de um pico de 104,2 pontos em março de 2011 para 82,5 no mês passado.

Empresas privadas não financeiras tinham 725 bilhões de rands (US$ 45,4 bilhões) depositados nos bancos sul-africanos no fim de março, comparado a 670 bilhões de rands um ano antes, de acordo com dados da autoridade monetária. A formação de capital fixo por empresas aumentou somente 0,4 por cento em 2015, ajustando para a inflação, após retração de 3,4 por cento no ano anterior.

"A economia simplesmente não cresce e o retorno sobre o investimento fixo é muito baixo no momento" disse Arthur Kamp, economista-chefe da Sanlam Investment Management, na Cidade do Cabo. "O incentivo é para investir onde o retorno é maior. A incerteza também vai afetar muito duramente o investimento."

E nada é mais incerto do que o futuro político de Gordhan. Em dezembro, ele voltou ao cargo que ocupou entre 2009 e 2014, mas só após a queda livre dos mercados quando Zuma nomeou um desconhecido para o Ministério da Fazenda. Os objetivos de Gordhan - reduzir o déficit público e melhorar a gestão de estatais para evitar um rebaixamento da nota de crédito soberana para grau especulativo - causaram indisposição com o presidente.

Zuma ignorou o pedido de Gordhan de demitir por insubordinação Tom Moyane, a maior autoridade tributária do país. O presidente tampouco defendeu seu ministro depois que o jornal Sunday Times publicou que ele poderia ser acusado de espionagem e demitido por ter autorizado a formação de uma força paralela para espionar contribuintes quando era responsável pelo órgão nacional de arrecadação. Gordhan afirmou ser inocente e disse que as alegações contra ele são "rumores maliciosos" que foram "fabricados por outros motivos".

(Com a colaboração de Rene Vollgraaff e Eddie van der Walt)

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