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Índia passa a importar açúcar após El Niño

Pratik Parija

(Bloomberg) -- Pouco mais de um ano depois de ordenar às usinas de açúcar a exportação compulsória de uma montanha da commodity que havia em estoque, a Índia lida com dificuldades com a espiral dos preços e com uma possível escassez.

Depois que o El Niño mais forte em duas décadas prejudicou as colheitas, a produção da Índia deverá cair pelo segundo ano seguido ao menor nível em sete anos. A situação colocou o governo federal em alerta. O ministro de Alimentos, Ram Vilas Paswan, disse na semana passada que o imposto sobre as importações poderia ser reduzido e que as exportações foram descartadas para evitar um salto maior dos preços.

A provável transição da Índia de exportadora para importadora ocorre em meio à alta dos preços internacionais ao maior nível em 20 meses, impulsionada pelas perspectivas do primeiro déficit mundial de açúcar em cinco anos. Com a redução da produção e dos estoques, o maior consumidor mundial de açúcar poderá precisar comprar em outras partes entre 2 milhões e 6 milhões de toneladas em 2016-2017, segundo a RCMA Commodities Asia Pte.

"Deveremos ter importações por interesse dos consumidores e para evitar um possível aumento dos preços em caso de qualquer situação inevitável, como um atraso na produção da safra 2017-2018", disse Mukesh Kuvadia, secretário-geral da Associação de Comerciantes de Açúcar de Mumbai, por telefone, na segunda-feira. A Índia poderá importar 1,5 milhão a 2 milhões de toneladas de açúcar na temporada 2016-2017 para controlar os preços mesmo que não haja escassez, disse ele.

Estoques menores

A produção da Índia provavelmente cairá para 23,5 milhões de toneladas no ano que começa em 1º de outubro, segundo uma pesquisa da Bloomberg realizada no mês passado. Seria a menor desde a safra de 2009-2010, de 18,9 milhões de toneladas, mostram dados da Associação Indiana das Usinas de Açúcar. Com a demanda doméstica prestes a superar 26 milhões de toneladas, o estoque de cerca de 7 milhões de toneladas será praticamente consumido, abrindo as portas para as importações.

A Índia deverá ter um estoque suficiente para atender a necessidade do país por pelo menos três meses, disse Kuvadia, que negocia açúcar há três décadas. O governo estudará a redução do imposto sobre a importação de açúcar e proibirá as exportações se os preços subirem ainda mais, disse Paswan, no Twitter, no sábado.

Limites para estocagem

O governo do primeiro-ministro Narendra Modi já entrou em ação para frear os preços e garantir o abastecimento do mercado. Na semana passada, o Ministério de Alimentos retirou um subsídio à produção que era pago diretamente aos produtores rurais que forneciam cana-de-açúcar às usinas que exportam açúcar e produzem etanol. A pasta também impôs limites à quantidade de açúcar que as traders podem estocar para evitar o acúmulo.

A Índia, maior produtora mundial depois do Brasil, deverá exportar 2,9 milhões de toneladas em 2015-16, o que transforma o país no quarto maior exportador em 2015-2016, segundo dados do Departamento da Agricultura dos EUA.

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