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Pessimistas com yuan perdem força e reduzem apostas em queda

Bloomberg News

(Bloomberg) -- Da última vez que o yuan caiu tanto quanto nas últimas semanas, as apostas contra a moeda chinesa eram tão intensas que Bill Gross as comparou com o infame ataque de George Soros à libra esterlina britânica, em 1992.

Agora, menos de cinco meses depois do último surto de fraqueza do yuan, os investidores pessimistas parecem mais uma irritação moderada para o Banco Popular da China (PBOC, na sigla em inglês) do que uma força capaz de quebrar o banco central.

O desconto na taxa offshore da moeda chinesa em relação a seu nível no mercado onshore, um indicador fundamental do pessimismo entre os traders estrangeiros, quase desapareceu após atingir o recorde de 2,9 por cento no começo do ano. As opções em yuans estão precificando uma probabilidade de 13 por cento de que ocorra uma queda de mais de 6 por cento, para 7 por dólar, no fim do ano. A probabilidade diminuiu em relação aos mais de 30 por cento de janeiro. A volatilidade implícita nos contratos - que normalmente cresce quando os traders antecipam maiores oscilações nos preços - mal se mexeu neste mês.

Hedge funds e outros especuladores se tornaram cautelosos com as apostas pessimistas depois que as autoridades monetárias chinesas intervieram e aplicaram controles de capitais e estímulos econômicos para reforçar o yuan em janeiro. As apostas reduzidas contra a moeda podem fazer com que seja mais fácil para o PBOC arquitetar uma depreciação gradual sem se preocupar se as perdas cairão em uma espiral de depressão desestabilizadora.

"As posições vendidas se reduziram muito", disse Koon Chow, estrategista da Union Bancaire Privée, que administra US$ 112 bilhões. "O yuan tende a perder força a longo prazo, mas as apostas em uma depreciação rápida são inaceitáveis para as autoridades chinesas".

Declínio

Os pessimistas não desapareceram durante o último recuo do yuan, mas se tornaram muito menos ativos. Neste mês, as negociações em opções que pagam se o yuan cai para 7 por dólar somou menos de 19 por cento do volume em janeiro e a volatilidade implícita de três meses para os contratos offshore em yuans é de cerca de metade do nível do pico registrado em fevereiro.

Há bons motivos para se acreditar que a China recuperou o controle sobre o yuan. As reservas de moeda estrangeira do país aumentaram em um total de US$ 17 bilhões em março e abril, sinal de que o banco central está gastando menos com intervenções depois que as reservas encolheram em US$ 599 bilhões nos 12 meses anteriores. Os fluxos de capitais estimados diminuíram de US$ 144 bilhões em janeiro para cerca de US$ 44 bilhões em março, segundo os números mais recentes disponíveis.

A maioria dos analistas monitorados pela Bloomberg está convencida de que o PBOC liderará uma desvalorização da moeda para impulsionar o crescimento econômico, sem recorrer a uma desvalorização repentina similar àquela que sacudiu os mercados globais em agosto. O yuan encerrará o ano a 6,66 por dólar, queda de 1,5 por cento em relação à cotação no encerramento da quinta-feira, segundo a mediana de 68 estimativas.

A moeda receberá "apoio de Pequim", disse Frederik Kunze, economista do Norddeutsche Landesbank em Hannover, Alemanha, que prevê que o yuan se manterá estável em 6,55 por dólar até dezembro. "Agora a estabilidade é mais importante".

Título em inglês: Yuan Bears Once Compared to Soros in His Prime Now Look Subdued

Para entrar em contato com o repórter: Ye Xie em N York, yxie6@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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