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XP quer ter banco no Brasil; abre escritório em Genebra

Cristiane Lucchesi

(Bloomberg) -- A XP Investimentos, que conta com o General Atlantic como acionista, está solicitando licença de banco no Brasil e também vai abrir um escritório em Genebra neste mês, expandindo serviços para clientes latino-americanos em meio ao recuo de alguns concorrentes.

Uma licença bancária permitiria à empresa com sede no Rio de Janeiro conceder empréstimos a juros baixos para indivíduos e investidores institucionais utilizando investimentos de clientes como garantia, disse o presidente da corretora, Guilherme Benchimol, em entrevista. A empresa contratou nove pessoas para o escritório de Genebra, que abrirá neste mês para atender a clientes latino-americanos que preferem usar uma conta europeia para manter seu dinheiro no exterior, disse ele.

"Nós já podemos oferecer aos clientes todos os tipos de fundos -- de ações, de renda fixa, fundos de hedge -- e queremos oferecer a eles também a praticidade de ter uma conta conosco", disse Benchimol. A XP poderá analisar também em algum momento a oferta de cartões de crédito, disse ele.

A XP está tentando tirar proveito da lacuna deixada pela saída de algumas empresas internacionais do país. O Citigroup informou que planeja vender sua divisão de banco de varejo no Brasil, na Argentina e na Colômbia, mantendo as operações de atendimento a clientes institucionais e corporativos. O Deutsche Bank está deixando países latino-americanos como a Argentina e o México e reduziu aproximadamente pela metade seus funcionários no Brasil ao transferir seu trading para outras partes. O HSBC Holdings fechou um acordo para venda de sua unidade no Brasil ao Banco Bradesco em agosto por US$ 5,2 bilhões.

Negociações com Citigroup

A XP "manteve algumas conversas" para a compra dos negócios de varejo do Citigroup no Brasil e ainda está interessada nos ativos, mas as negociações "não estão evoluindo", disse Benchimol, preferindo não fornecer mais detalhes.

O plano é criar o banco assim que a XP receber a licença de banco múltiplo do Banco Central, algo que Benchimol estima que ocorrerá até o fim do próximo ano. O banco contará com capital inicial de R$ 100 milhões, disse ele.

Além de Genebra, os escritórios da XP em Londres e Miami também estão se expandindo para oferecer serviços a indivíduos ricos, segundo Benchimol.

A XP tem cerca de US$ 600 milhões em ativos de indivíduos latino-americanos sob gestão e a meta é ampliar esse total para US$ 1 bilhão até o final deste ano, disse ele.

Em Nova York, a XP criou um negócio de NDF (non-deliverable forward, em inglês) em janeiro, entrando no mercado de balcão de corretagem de derivativos fora do Brasil. A empresa acaba de se mudar para um escritório maior em Manhattan para acomodar seus planos de expansão e cerca de 40 funcionários, o dobro do número com que contava no final do ano passado.

A XP abriu sua corretora em Nova York em 2011 atendendo a fundos americanos com investimentos em mercados brasileiros. Atualmente, o escritório atende também a clientes latino-americanos que investem no exterior.

"Teremos um grande foco em nossa expansão internacional", disse Benchimol.

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