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Com juros negativos, bancos do Japão se desfazem de títulos

Gareth Allan e Shingo Kawamoto

(Bloomberg) -- O estímulo das taxas de juros negativas está funcionando pela metade no Japão. Os bancos realizaram a maior redução de posições em títulos soberanos em quase três anos apenas para guardar os recursos no banco central.

Os títulos soberanos japoneses em posse dos bancos caíram 5,5% em abril em relação ao mês anterior, ritmo mais rápido desde junho de 2013, porque a maior parte dos rendimentos ficou abaixo de zero, mostram dados do Banco do Japão (BOJ).

Os depósitos dos bancos mantidos no banco central, que cobra tarifas apenas de uma pequena parte das reservas, subiram 3,4 por cento no período. Este não é um bom sinal para o crescimento dos empréstimos, atualmente perto do menor nível em três anos.

"Os bancos não estão rolando títulos soberanos quando vencem por causa das taxas de juros negativas", disse Yoshinobu Yamada, analista sênior do Deutsche Bank em Tóquio. "Os fundos geralmente terminam no balanço macro do banco central, que tem uma taxa de zero por cento".

As posições dos bancos japoneses em título soberanos caíram cerca de 43% desde que o presidente do BOJ, Haruhiko Kuroda, iniciou os estímulos de compra de títulos em 2013, atingindo 94,7 trilhões de ienes (US$ 887 bilhões) em abril, nível mais baixo desde dezembro de 2008.

Com empresas e famílias ainda relutantes em relação a tomar empréstimos e gastar, os fundos em excesso estão fluindo de volta para as contas dos bancos no BOJ, em que um sistema de taxas de três níveis permite que mantenham a maior parte do dinheiro excedente a zero por cento.

"As empresas veem a introdução de juros negativos como um sinal de que a economia está mal", disse Yamada, do Deutsche Bank. "A realidade é que, em vez de melhorar a economia, isto está piorando o sentimento dos donos de negócios".

É certo que o aumento das reservas dos bancos é uma consequência natural da política do banco central de injetar 80 trilhões de ienes no sistema financeiro a cada ano. As contas-correntes dos bancos se multiplicaram por cinco desde que Kuroda iniciou seu plano de compra de títulos soberanos a uma escala sem precedentes em abril de 2013 para derrotar a deflação.

Pelo sistema de três níveis, a maioria dos 276 trilhões de ienes em reservas dos bancos ainda está coletando 0,1% de juros, enquanto a porção sujeita a juros negativos está entre 10 trilhões de ienes e 30 trilhões de ienes, segundo o BOJ. Isto deixa o terceiro nível -- chamado macro add-on balance, no qual são aplicados juros zero --com o maior crescimento.

O balanço macro teve uma expansão de 68% em abril, para 45 trilhões de ienes, em relação a março.

O banco central mantinha um montante quase recorde de 315 trilhões de ienes em títulos em 20 de maio, quase um terço da dívida pública do Japão.

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