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Deutsche Bank fica fora do maior negócio da Alemanha, dizem fontes

Aaron Kirchfeld, Jeffrey Vögeli e Jan-Henrik Förster

(Bloomberg) -- O Deutsche Bank, tradicionalmente credor por excelência da maior economia da Europa, é a ausência mais notável na maior aquisição do ano.

O maior banco da Alemanha perdeu a oportunidade de assumir as funções de assessoria e financiamento de primeira classe na oferta de US$ 62 bilhões da Bayer pela Monsanto, segundo pessoas com conhecimento do assunto. A empresa escolheu assessorar a rival e gigante de produtos químicos BASF, que estudou acordos mas ainda não participou da maior onda de consolidação do setor mundial de produtos químicos e sementes, disseram as pessoas.

Devido a possíveis conflitos entre clientes, o Deutsche Bank ficou de fora do grupo de mais de doze credores que se apresentaram na sede da Bayer em Leverkusen para oferecer serviços de financiamento, disseram as pessoas.

A empresa alemã acabou escolhendo Goldman Sachs, HSBC Holdings e JPMorgan Chase para trabalhar com seus principais assessores, o Bank of America e o Credit Suisse Group, a fim de garantir US$ 63 bilhões em empréstimos de curto prazo, disseram as pessoas.

A ausência se deu em um momento em que o CEO John Cryan enfrenta o desafio de tentar manter uma vantagem sobre a concorrência e, ao mesmo tempo, reduzir o tamanho do banco de investimento e reorganizar o pessoal. Cryan reestruturou a diretoria com uma reforma estratégica em outubro e dividiu a unidade de valores em uma divisão de trading e uma empresa de assessoria sobre venda de ações e de títulos e fusões, dirigida por Jeff Urwin.

Transação prestigiosa

"É um momento muito inoportuno, porque eles vão perder uma transação muito prestigiada, um lugar muito prestigiado na classificação de entidades assessoras e, presumivelmente, comissões excelentes", disse Christopher Wheeler, analista da Atlantic Equities em Londres. "É claro que essas coisas acontecem".

Porta-vozes do Deutsche Bank e da Bayer não quiseram fazer comentários.

A ausência na transação da Bayer custou ao Deutsche Bank a posição de liderança no ranking de assessores de fusões em seu mercado local. A empresa caiu para o sexto lugar nas transações com empresas alemãs no ano até agora, a posição mais baixa desde 2012, em comparação com o primeiro lugar em 2015 e 2014 e com o segundo lugar em 2013, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Perda amarga

Na verdade, as posições no ranking costumam flutuar de acordo com o papel de um banco --se assessorou ou se ficou de fora-- em uma ou duas das maiores transações, como a da Bayer.

Além disso, o Deutsche Bank fechou uma série de acordos consideráveis na Alemanha em maio e junho, como a oferta de uma empresa chinesa para adquirir a fabricante alemã de robôs Kuka, a venda da WMF, fabricante alemã de utensílios de cozinha e cafeteiras, e a venda de uma divisão fundamental da Bilfinger.

Contudo, a maior fusão na história da Alemanha é uma perda amarga para o maior banco do país. Se a aquisição da Monsanto pela Bayer for bem-sucedida, ela eclipsará a segunda maior aquisição da história do país, a malfadada compra da Chrysler pela Daimler em 1998 por US$ 43 bilhões, que foi assessorada pelo Deutsche Bank.

--Com a colaboração de Selcuk Gokoluk Sally Bakewell Angela Cullen e Johannes Koch

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