Para Swiss Re, títulos soberanos deixaram de compensar após BCE

Jan-Henrik Förster

(Bloomberg) -- O Banco Central Europeu transformou os títulos soberanos em uma das classes de ativos de maior risco, levando a Swiss Re a transferir uma parcela maior de seus investimentos para dívidas corporativas, segundo o diretor de investimento da resseguradora.

"Se você está buscando uma bolha, aqui está ela", disse o diretor de investimentos Guido Fürer, em entrevista em Zurique. "Com os títulos soberanos você não é compensado adequadamente pelo risco que toma".

As taxas de juros baixas ou negativas combinadas à volatilidade dos mercados e às aquisições de ativos do BCE estão espremendo as margens de investimento das seguradoras, que são grandes compradoras de títulos de renda fixa, levando algumas delas a buscarem retornos maiores em outras partes.

A Swiss Re, que administra US$ 140 bilhões em ativos, ampliou sua alocação de títulos corporativos para 33% de seus investimentos totais no fim de 2015, contra 20% no fim de 2012.

"Não estamos imunes aos juros negativos, mas fomos bastante compensados desde que nos reposicionamos, passando dos títulos soberanos para os corporativos", disse Fürer. Os investimentos de crédito agora estão em "bom nível", representando 42% do total, disse ele.

O rendimento dos títulos alemães de 10 anos caiu para abaixo de zero pela primeira vez nesta semana e o dos títulos do Japão chegaram a menos 0,21%. O montante global de dívidas de rendimento negativo inchou para US$ 8,8 trilhões, segundo o Bloomberg Global Developed Sovereign Bond Index. As taxas sobre os títulos de 30 anos da Suíça também ficaram abaixo de zero pela primeira vez na história.

A Swiss Re se soma ao coro de investidores institucionais, como a seguradora alemã Allianz, que estão externando sua preocupação em relação à situação do mercado de títulos soberanos.

Para estimular o crescimento, o BCE comprou mais de 800 bilhões de euros das dívidas desde março de 2015 e agora está adicionando notas corporativas com grau de investimento a um programa de compras mensais de 80 bilhões de euros que inclui títulos de dívida com lastro em crédito imobiliário, conhecidos no mercado europeu como "covered bonds", e títulos lastreados por ativos.

Queda de rendimentos

A Allianz disse que planeja aumentar suas posições em títulos corporativos devido à queda dos rendimentos dos papeis soberanos. Os bancos centrais criaram "uma supernova que explodirá um dia", disse Bill Gross, gerente do Janus Global Unconstrained Bond Fund, de US$ 1,4 bilhão, no Twitter, na semana passada. Em abril do ano passado, o ex-diretor de investimento da Pacific Investment Management Co. descreveu os títulos alemães como "a posição vendida de uma vida".

A Swiss Re não buscará investimentos com rendimentos maiores em classes de ativos de maior risco, disse Fürer. A empresa procura retornos em classes de ativo como crédito para infraestrutura, private equity e imóveis, embora os últimos dois gerem custos de capital mais elevados para as seguradoras.

"Nós reduzimos nossas posições em hedge funds e não temos planos de alterar significativamente nossa exposição atual".

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