Brasil lidera lista de assassinatos de ativistas

R.T. Watson

(Bloomberg) -- Quando recebeu um telefonema na véspera do Natal e soube que um amigo e ativo defensor das florestas havia aparecido morto, o padre católico Josef Wasensteiner ficou devastado, mas não surpreso.

"Essa comunidade está em conflito", disse Wasensteiner, alemão de nascimento, que imigrou há mais de 30 anos para dentro dos limites da Amazônia brasileira, em Codó, no estado do Maranhão.

O líder comunitário Antônio Isídio Pereira é uma das 50 pessoas que foram mortas defendendo terras ou o meio ambiente no Brasil no ano passado, segundo um relatório divulgado na segunda-feira pelo grupo de defesa Global Witness.

Isto coloca o Brasil no topo da lista anual do grupo. Em um cenário de queda dos preços das commodities, o grupo disse também que o ano passado foi o pior ano já registrado em termos de assassinatos.

"O meio ambiente virou um novo campo de batalha para os direitos humanos", disse Billy Kyte, pesquisador líder do relatório. "Estamos testemunhando cada vez mais o conluio entre o governo e atores corporativos em atos de violência contra ativistas".

O Ibama, encaminhou as perguntas ao Ministério da Justiça. O Ministério da Justiça não comentou o assunto.

A lista da Global Witness inclui 16 países nos quais identificou assassinatos de ativistas ambientalistas, usando seu próprio processo de seleção para determinar quais mortes classificar.

A organização registrou 185 assassinatos em 2015, número mais elevado desde que começou a monitorar o dado, em 2002. No Brasil as mortes deram um salto de 72% em relação às 29 ocorridas em 2014.

Mortes na mineração

Embora a maioria dos problemas do Brasil com conflitos esteja relacionada à exploração madeireira e ao agronegócio, a Global Witness registrou um aumento de cerca de 70 por cento no número de mortes relacionadas a pessoas que defendiam terras contra a mineração ao redor do mundo, fator que respondeu por 42% das 185 mortes do ano passado.

A violência relacionada à mineração foi mais severa na Colômbia, no Peru e nas Filipinas, onde, segundo o grupo, as empresas podem estar ampliando a produção para compensar os preços mais baixos. No Peru, 80% das 69 mortes registradas desde 2002 estavam relacionadas à mineração, disse o relatório.

A queda dos preços das commodities pode estar piorando a situação que as comunidades enfrentam quando tentam defender suas terras da extração legal ou ilegal de recursos valiosos, disse Kyte.

"A redução dos padrões sociais e ambientais pode estar impulsionando um conflito maior com as comunidades locais", disse ele. "As empresas também podem estar assumindo riscos maiores para aumentar os lucros invadindo áreas ricas em recursos antes intocadas".

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