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Samarco contrata JPMorgan para reestruturação de dívida, dizem fontes

Juan Pablo Spinetto, Cristiane Lucchesi e R.T. Watson

(Bloomberg) -- A joint venture brasileira de mineração da Vale com a BHP Billiton está avaliando formas de reestruturar cerca de US$ 1,6 bilhão em dívidas meses após o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais, que interrompeu a produção e prejudicou o fluxo de caixa da empresa, disseram pessoas próximas à negociação.

A produtora de minério de ferro Samarco contratou o JPMorgan Chase & Co. para discutir uma reestruturação de suas dívidas com bancos, disseram três das pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as negociações, em estágio inicial, são privadas. A BHP contratou o Rothschild & Co., a Vale está recebendo a consultoria da Moelis & Co. e os bancos estão trabalhando com a FTI Consulting, segundo as pessoas.

Apesar dos US$ 2,2 bilhões em títulos em dólares da Samarco não vencerem antes de 2022, a empresa não será capaz de pagar completamente suas obrigações porque enfrenta dificuldades para retomar as operações após o rompimento da barragem, em 5 de novembro, que matou 19 pessoas, disseram as pessoas. A empresa não deixou de honrar nenhum pagamento até o momento, segundo as fontes.

A mineradora, formalmente conhecida como Samarco Mineração, e suas proprietárias preferiram não comentar, assim como o JPMorgan, o Moelis e o Rothschild. A FTI não respondeu aos e-mails e telefonemas em busca de comentários.

A Samarco divulgou cerca de R$ 15 bilhões em dívidas (US$ 4,4 bilhões) no fim de 2015 e R$ 1,8 bilhão em caixa. Suas obrigações incluem cerca de R$ 328 milhões em pagamentos neste ano e R$ 324 milhões em 2017, disse a empresa. Embora a maior parte da dívida esteja em mãos de credores internacionais, bancos locais como Bradesco, Votorantim e Itaú Unibanco também têm exposição à empresa por meio de fianças, disse a Samarco.

Planos de retomada

Os rendimentos sobre os títulos com vencimento em 2022 subiram desde o fim de abril em meio às ações judiciais contra o rompimento da barragem e aos atrasos esperados para a retomada da mina que é seu único ativo a produzir caixa. Em 15 de junho, a Samarco disse que ainda não havia garantido as licenças necessárias para retomar as operações e que a possibilidade de isso acontecer neste ano está se tornando remota.

A Vale alertou no mês passado para a volatilidade continuada nos preços do minério de ferro após o recuo do material usado na fabricação do aço que seguiu um aumento no período de três meses até meados de abril.

"Teremos que nos preparar para períodos mais difíceis", disse o diretor global de marketing e vendas de minério de ferro da Vale, Claudio Alves, em conferência do setor em 19 de maio em Cingapura. A BHP, que tem sede em Melbourne, está mais pessimista em relação aos preços do minério de ferro do que em relação a qualquer outra commodity de seu portfólio, disse o CEO Andrew Mackenzie em março.

Título em inglês: BHP-Vale Mine, Crippled by Dam Spill, Said in Restructure Talks

--Com a colaboração de David Stringer Brett Foley e Peter Millard Para entrar em contato com os repórteres: Juan Pablo Spinetto Rio de Janeiro, jspinetto@bloomberg.net, Cristiane Lucchesi em São Paulo, clucchesi5@bloomberg.net, R.T. Watson Rio de Janeiro, rwatson71@bloomberg.net, Para entrar em contato com os editores responsáveis: Telma Marotto tmarotto1@bloomberg.net, Patricia Xavier

©2016 Bloomberg L.P.

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