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Falta de investimento limita produção de açúcar no Brasil

Gerson Freitas Jr. e Fabiana Batista

(Bloomberg) -- A escalada dos preços do açúcar no Brasil ainda é insuficiente para estimular as usinas a retomar os investimentos, afirma o principal executivo da Biosev SA, segunda maior produtora do país.

Embora a atividade tenha voltado a ser rentável, as usinas ainda relutam em ampliar capacidade já que muitas ainda lidam com a ressaca da dívida herdada do último ciclo de expansão, afirmou Rui Chammas, o CEO da Biosev, em entrevista em São Paulo. Ao mesmo tempo, a política do governo para o etanol segue pouco clara, gerando insegurança entre os investidores. 

A Biosev, que é controlada pela trading agrícola Louis Dreyfus Commodities, é a maior produtora de açúcar e etanol do país depois da Raízen, a joint venture entre Cosan e Shell.

A dívida total do setor sucroalcooleiro saltou de R$ 38 bilhões para R$ 96 bilhões nos últimos seis anos após uma década de forte expansão, segundo uma estimativa da consultoria Datagro. O montante aumentou ainda mais depois que o real perdeu um terço de seu valor no ano passado. Cerca de 50 usinas de etanol e açúcar do país fecharam e 70 entraram com pedido de recuperação judicial desde 2011 -- cerca de 30 por cento do total, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

Mesmo com os aumentos recentes de preço, "as pessoas ainda têm uma forte lembrança da crise provocada pelo investimento excessivo nesse setor", disse Chammas. Empresas como a Biosev estão focadas no pagamento da dívida, na redução dos níveis de alavancagem e na geração de caixa antes de considerar uma expansão, disse ele.

A capacidade do Brasil de expandir sua produção está sendo limitada em um momento em que traders e analistas projetam déficits mundiais de produção por três safras seguidas. Os futuros do açúcar bruto negociados na ICE Futures, em Nova York, subiram 30 por cento neste ano e estão sendo negociados perto do nível mais alto desde outubro de 2012. Quando medidos em reais, os preços são os mais altos da história após a desvalorização da moeda brasileira.

Embora os sinais de que o governo deixará de interferir nos preços domésticos dos combustíveis sejam positivos, os produtores não pretendem retomar investimentos em capacidade enquanto o Brasil não aprovar regras claras e de longo prazo para o uso do etanol. O controle dos preços da gasolina prejudicou as usinas de cana-de-açúcar do país nos últimos anos porque tornaram o etanol menos atraente para os consumidores.

A Raizen também não possui planos de expansão ou de aquisição atualmente já que as margens do setor ainda não são elevadas o suficiente para estimular investimentos em capacidade, disse Marcos Lutz, CEO da Cosan, a repórteres em um evento em São Paulo na semana passada.

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